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Café às 5h antes de operação termina com advogado de delegado preso

Amilton Ferreira de Almeida foi preso temporariamente cinco dias após acompanhar o caso de Hoffman D’Ávila; defesa nega vazamento de informações






Um café marcado para as 5h da manhã, pouco antes de o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) chegar à casa do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, passou a fazer parte de uma investigação sobre possível vazamento da Operação Infiltrados, segundo reportagem do G1.

Cinco dias depois, o advogado que se encontrou com o delegado naquela madrugada, Amilton Ferreira de Almeida, foi preso temporariamente.

A prisão ocorreu nesta terça-feira (29), em Campo Grande, durante a Operação Obstructio, aberta para investigar se informações sigilosas da ofensiva realizada na quinta-feira (24) chegaram antecipadamente a alvos.

A ordem contra o advogado tem prazo de 30 dias. Dois mandados de busca e apreensão também foram cumpridos.

Amilton foi preso em casa, na Vila Albuquerque, e encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada). Por se tratar de advogado, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acompanhou o cumprimento das medidas.

O episódio que colocou o defensor no centro da nova investigação ocorreu na madrugada da primeira operação. Segundo a defesa de Amilton, ele e Hoffman haviam combinado de tomar café por volta das 5h e depois sairiam para caminhar, algo que fariam habitualmente.

Quando os agentes chegaram à residência de Hoffman, no Carandá Bosque, para cumprir os mandados, o delegado já havia deixado o imóvel e não foi localizado. Naquele mesmo dia, Amilton declarou que a saída antecipada havia sido uma coincidência e negou que o cliente tivesse recebido qualquer aviso sobre a operação.

Hoffman permaneceu fora de casa durante o dia e se apresentou à Corregedoria da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) somente à tarde, acompanhado de advogados. Ele acabou preso e permanece detido.

Agora, o encontro ocorrido horas antes da operação é analisado no inquérito que tenta descobrir se houve acesso antecipado a informações sigilosas. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) afirma que existem elementos já reunidos indicando uma possível comunicação criminosa e sustenta que o vazamento teria prejudicado as diligências.

A defesa de Amilton nega que ele soubesse previamente da operação ou tenha alertado Hoffman. Também afirma que o celular do advogado foi disponibilizado para análise dos investigadores.

Operação apura droga desviada por policiais

A prisão do advogado é um novo capítulo da Operação Infiltrados, que investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes das forças de segurança de Mato Grosso do Sul.

Segundo a investigação, parte dos entorpecentes recolhidos em operações, principalmente cocaína, não seria registrada oficialmente. Outra parcela teria sido retirada de depósitos policiais e posteriormente entregue a traficantes, fazendo com que drogas já apreendidas retornassem ao comércio ilegal.

A primeira etapa teve 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os investigados estão policiais civis, militares e um policial penal.

Hoffman, que já atuou no combate ao narcotráfico, é apontado pelo Gaeco como líder de um dos núcleos investigados. Ele e outros servidores envolvidos na apuração também foram afastados das funções.

Com a Operação Obstructio, a investigação passa a avançar sobre outro ponto: descobrir se o sigilo da primeira ofensiva foi quebrado, como a informação teria chegado aos investigados e se isso permitiu que algum dos alvos se antecipasse à chegada das equipes.