Esportes

Clubes se rebelam contra fim das bets e governo cancela reunião em Brasília

Movimento para esvaziar encontro ganhou força após proibição das casas de apostas; Palmeiras e Flamengo estão entre os times que lideraram articulação






A tentativa do governo federal de abrir uma negociação com os clubes após proibir as bets encontrou resistência antes mesmo da primeira reunião. Dirigentes se articularam para não comparecer ao encontro marcado para esta terça-feira (29), em Brasília, e a agenda acabou cancelada.

Representantes das quatro divisões do Campeonato Brasileiro, além das federações estaduais e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), haviam sido chamados para discutir os impactos da MP (Medida Provisória) que proibiu as apostas esportivas e os jogos online no país. A nova data ainda não foi definida.

Nos bastidores, porém, a adesão ao encontro despencou. Segundo relatos publicados pela imprensa, Palmeiras e Flamengo estiveram entre os principais articuladores do movimento de esvaziamento.

Parte dos dirigentes considera que o governo tomou uma decisão com forte impacto financeiro sobre os clubes sem ouvi-los previamente.

A insatisfação também envolve o momento escolhido para a reunião, a poucos dias do primeiro turno das eleições. De acordo com as apurações publicadas, havia ainda resistência de dirigentes em aparecer ao lado de integrantes do governo neste momento da campanha eleitoral.

Oficialmente, o Ministério do Esporte atribuiu a remarcação à proximidade da data e às dificuldades de deslocamento dos participantes. A justificativa, no entanto, ocorreu enquanto clubes e federações já sinalizavam baixa adesão à agenda.

Bets viraram fonte milionária do futebol

A reação dos clubes está diretamente ligada ao peso das casas de apostas nos contratos de patrocínio. Dos 20 times da Série A, 14 mantinham patrocínio de empresas do setor antes da proibição. Somente em 2025, as bets destinaram cerca de R$ 1,03 bilhão aos clubes da elite nacional.

A proibição foi anunciada pelo governo na sexta-feira (25). Desde então, dirigentes têm discutido alternativas para reduzir o impacto da perda desses contratos e chegaram a divulgar um manifesto contra o fim das casas de apostas no país.

O governo pretendia aproveitar a reunião para discutir também alternativas financeiras para os clubes. Entre as possibilidades em debate estava a criação de linhas de crédito voltadas à renegociação de dívidas.

A proposta, porém, não convenceu parte das equipes. Entre os dirigentes contrários, há o entendimento de que trocar receitas imediatas de patrocínio por crédito para reorganização das dívidas não compensaria as perdas provocadas pelo fim das bets.

Apesar do impasse, o cancelamento não encerra as conversas. Corinthians, Internacional e Atlético-MG estão entre os clubes que mantêm negociações com o governo sobre alternativas de apoio financeiro.