Desastres registrados entre julho e agosto deixaram mais de R$ 8,2 bilhões em prejuízos e atingiram 4,7 milhões de pessoas em 641 municípios brasileiros.
Os dados constam no Boletim El Niño 2026/2027, elaborado pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), que alerta para o risco de agravamento dos eventos climáticos nos próximos meses.
Do total das perdas econômicas contabilizadas no período, R$ 6,5 bilhões correspondem a prejuízos privados e R$ 1,6 bilhão a danos públicos. Outros R$ 182,8 milhões estão relacionados a unidades habitacionais.
Os municípios considerados no levantamento tiveram decretos de situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos entre 1º de julho e 31 de agosto.
O alerta ocorre diante do fortalecimento do El Niño. Em julho, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficaram acima da média, cenário associado à intensificação do fenômeno.
Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), há 69% de probabilidade de o El Niño atingir, entre outubro e dezembro de 2026, uma intensidade considerada histórica. Fenômenos mais intensos aumentam o risco de eventos extremos, com efeitos diferentes entre as regiões, incluindo chuvas volumosas e períodos de seca severa.
Repasse para desastres fica abaixo do previsto
O levantamento também chama atenção para a diferença entre os recursos previstos pela União para ações municipais de defesa civil e o dinheiro efetivamente repassado.
Entre 2010 e agosto de 2026, foram previstos R$ 38,7 bilhões para essas ações, mas R$ 10,6 bilhões chegaram às prefeituras dentro do exercício orçamentário, o equivalente a 29,3% do montante.
Para 2027, o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) prevê R$ 1,8 bilhão para o programa de Gestão de Riscos e de Desastres. No PLOA de 2026, a previsão inicial havia sido de R$ 645 milhões.
A CNM também chama atenção para o anúncio de R$ 1,3 bilhão do governo federal destinado a ações relacionadas ao El Niño 2026/2027. Segundo a entidade, ainda não foi definida uma parcela específica para transferência direta às prefeituras.
Diante da possibilidade de agravamento dos eventos climáticos, a orientação aos municípios é atualizar planos de contingência, mapear áreas de risco e preparar abrigos e rotas de evacuação, além de reforçar os mecanismos de comunicação com a população.






