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Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções

Documento de presidente dos EUA foi enviado ao Congresso americano






O presidente dos EUA (Estados Unidos), Donald Trump, criticou a atuação do governo brasileiro no combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho).

As declarações aparecem em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, no qual a Casa Branca trata da produção e do trânsito internacional de drogas para o ano fiscal de 2027.

Trump afirmou que, enquanto outros governos do continente adotaram medidas para reduzir o tráfico de drogas e combater organizações criminosas, o Brasil não teria conseguido enfrentar adequadamente as duas facções.

Na avaliação apresentada pelo presidente norte-americano, PCC e CV contribuíram para transformar o Brasil em um ponto importante nos fluxos internacionais de cocaína. Trump também classificou o crescimento dessas organizações como uma ameaça à segurança internacional.

Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído na lista de 23 países classificados pelos EUA como principais produtores ou pontos de trânsito de drogas ilícitas. O país também não aparece entre aqueles formalmente considerados pelo governo norte-americano como tendo falhado no cumprimento de compromissos internacionais de combate às drogas.

O documento americano inclui nessa última classificação Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia. A Venezuela aparece na lista dos principais países de trânsito ou produção, mas não entre os quatro classificados pela Casa Branca como tendo “falhado de maneira demonstrável”.

Brasil rebate acusação

O MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) reagiu às declarações e negou que existam falhas ou omissões do governo brasileiro no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Em nota, a pasta afirmou que a avaliação norte-americana desconsidera ações adotadas pelo Brasil, entre elas a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, além de operações realizadas pelas forças federais e medidas do Programa Brasil contra o Crime Organizado.

O ministério também destacou a cooperação entre Brasil e EUA e afirmou que o governo brasileiro apresentou em maio uma proposta aos norte-americanos para ampliar ações conjuntas contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas e organizações criminosas.

Segundo o MJSP, a proposta foi entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Trump em Washington, mas o governo brasileiro ainda aguarda uma possível resposta dos EUA.

A pasta ressaltou ainda que a menção ao Brasil aparece na parte narrativa do documento americano e não representa uma classificação formal do país como descumpridor das obrigações previstas na legislação dos EUA.

O governo brasileiro afirmou que continuará atuando no combate às facções por meio de inteligência, investigação, integração das forças de segurança e cooperação internacional. (Agência Brasil)