Policial

Golpe do falso cafetão leva à prisão de mulher na cidade de Dourados

Suspeita de 25 anos teria atuado na movimentação do dinheiro obtido com extorsões e no recrutamento de pessoas para ceder contas bancárias






Ameaças atribuídas a facções criminosas, cobranças por Pix e contas bancárias de terceiros formavam a estrutura de um esquema de extorsão investigado em Dourados. A apuração do chamado golpe do falso cafetão levou à prisão de Letícia Rosa Vicentin, de 25 anos, nesta terça-feira (15).

A mulher foi presa por policiais da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos). Conforme a PC (Polícia Civil), ela é suspeita de atuar na parte financeira do esquema, principalmente na movimentação dos valores pagos pelas vítimas.

As investigações também apontam que Letícia pode ter participado do recrutamento de pessoas dispostas a disponibilizar contas bancárias para receber o dinheiro das extorsões. Depois dos depósitos, os valores seriam movimentados para dificultar o rastreamento e chegar aos demais integrantes do grupo.

O esquema tinha como alvos usuários de sites de acompanhantes. A vítima acessava anúncios publicados na plataforma HotMS e, depois de interagir com os contatos disponíveis, passava a receber mensagens de criminosos.

Os suspeitos se apresentavam como integrantes de organizações criminosas e afirmavam que o usuário havia causado algum tipo de prejuízo a uma garota de programa ou ao responsável pelo anúncio. Em seguida, exigiam dinheiro para supostamente resolver a situação.

Para aumentar a pressão, eram feitas ameaças contra as próprias vítimas e seus familiares. Os nomes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) eram citados pelos golpistas na tentativa de dar credibilidade às intimidações e convencer os alvos a realizar transferências via Pix.

Contas de terceiros entraram na investigação

O caminho percorrido pelo dinheiro passou a ser um dos principais pontos da apuração. Policiais identificaram indícios do uso de contas bancárias pertencentes a terceiros para receber e movimentar os valores obtidos com o golpe.

A investigação também apura a possível participação de um homem que já está preso. A polícia tenta esclarecer se ele tinha envolvimento nas ameaças, como funcionava a divisão de tarefas e quem ficava com o dinheiro retirado das vítimas.

Polícia tentou contato com plataforma

Durante a investigação, a PC também procurou a plataforma HotMS para obter informações que pudessem ajudar a descobrir como os suspeitos conseguiam dados relacionados aos usuários.

Segundo a Derf, foram feitas tentativas de contato com o setor administrativo e a plataforma chegou a ser intimada a prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração. Até o momento, conforme a polícia, as solicitações não foram atendidas.

Letícia deverá ser interrogada sobre as suspeitas. A investigação continua para identificar outros possíveis participantes e reconstruir o caminho do dinheiro movimentado pelo grupo.

A orientação da PC é para que vítimas que recebam mensagens de supostos cafetões ou integrantes de facções exigindo dinheiro não façam transferências e procurem a polícia.