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Confusão em avião pode render multa de R$ 17,5 mil e até um ano sem voar

Novas regras entram em vigor nesta segunda-feira; Aeroporto Internacional de Campo Grande já registrou oito casos de passageiros indisciplinados neste ano






Passageiros que causarem confusão, ameaçarem tripulantes ou colocarem a segurança de um voo em risco estarão sujeitos a punições mais duras.

As novas regras da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) preveem multa de até R$ 17,5 mil e, nos casos mais graves, proibição de viajar de avião por até 12 meses.

Em Campo Grande, o problema já provocou ocorrências neste ano. Segundo a Aena, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Campo Grande – Ueze Elias Zahran, oito casos de passageiros indisciplinados foram registrados em 2026.

Quando a situação interfere na operação do terminal, as polícias Federal ou Militar que atuam no aeroporto podem ser acionadas, informou a concessionária.

Casos crescem no país

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil contabilizou 881 ocorrências envolvendo passageiros indisciplinados. Desse total, 154 foram classificadas entre aquelas capazes de comprometer a segurança operacional.

Os casos mais graves cresceram 22% na comparação com o mesmo período de 2025. No ano passado inteiro, foram 1.764 episódios, média de quase cinco por dia e aumento de 66% sobre as 1.061 ocorrências registradas em 2024.

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) informou que não dispõe de levantamento regionalizado. A reportagem também procurou a ANAC para obter outros dados, mas não recebeu retorno.

Multa e até um ano sem embarcar

A nova regulamentação endurece as consequências para quem desrespeitar regras de segurança ou provocar situações de risco em aeroportos e aeronaves.

Entre as condutas consideradas indisciplina estão desobedecer orientações da tripulação, provocar tumulto, intimidar passageiros ou funcionários, usar equipamentos eletrônicos quando proibidos e danificar objetos da aeronave.

Agressões físicas, ameaças contra tripulantes, fumar dentro do avião, provocar danos que afetem a operação e fazer falsa comunicação sobre armas ou explosivos estão entre as ocorrências consideradas mais graves.

Nesses casos, o passageiro poderá receber multa de até R$ 17,5 mil. A punição será aplicada pela ANAC após processo administrativo.

Até 12 meses sem voar

Situações gravíssimas também poderão resultar na suspensão do direito de viajar de avião. O impedimento pode chegar a seis meses em determinadas ocorrências e a 12 meses quando houver risco direto à segurança da aeronave.

Tentativa de entrar na cabine de comando sem autorização, porte de explosivos ou armas, danos a equipamentos essenciais de segurança e tentativa de assumir o controle da aeronave estão entre as situações que podem levar às punições mais severas.

Durante a suspensão, as companhias deverão impedir a emissão de passagem, bloquear o check-in e negar o embarque do passageiro.

As empresas aéreas e administradoras de aeroportos também terão responsabilidades. O descumprimento das medidas previstas poderá resultar em multas de até R$ 70 mil, e os registros dos incidentes deverão ser mantidos por cinco anos.

A resolução foi publicada pela ANAC em março e teve uma primeira etapa em vigor desde 13 de abril. Nesta segunda-feira (14), passam a valer as regras relacionadas às multas e à suspensão de passageiros.