Diante do quadro de desaceleração mais espraiada entre os setores como reflexo dos juros altos, no momento em que o impacto de medidas expansionistas sai de cena, há quem veja chance de que o Produto Interno Bruto (PIB) entre em terreno levemente negativo no terceiro trimestre, após um crescimento que deve ser pífio de abril a junho.
No final do segundo trimestre, todos os dados oficiais de atividade caminharam na mesma direção, culminando com retração maior que o previsto, de 0,64%, do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em junho, considerado um termômetro mensal do PIB. No período, excluindo o setor agropecuário, os componentes de indústria, serviços e impostos do índice recuaram. E os dados já conhecidos para o trimestre seguinte apontam, ainda que de forma preliminar, desaquecimento adicional.
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Em julho, as vendas no comércio brasileiro encolheram 0,1% ante junho, na comparação dessazonalizada, segundo o Iget, calculado pelo Santander em parceria com a Getnet. O indicador, estimado com base nas vendas de estabelecimentos credenciados à adquirente, tenta antecipar a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. Já o Idat, indicador proprietário de atividade do Itaú, caiu 0,5% em igual comparação.
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Também na abertura do terceiro trimestre, o fluxo pedagiado de veículos nas estradas ficou estável na comparação mensal, de acordo com medição da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) em parceria com a Tendências. Ao mesmo tempo, os índices de confiança do consumidor e empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV) cederam em julho ante junho, e seguem longe do patamar de 100 pontos, linha divisória entre pessimismo e otimismo.
Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale diz que a perda de dinamismo da economia já estava contratada, diante do patamar bastante contracionista, e por período prolongado, da Selic. A dúvida é qual seria o ‘timing‘ em que o aperto das condições financeiras seria transmitido à atividade com maior intensidade, diz Vale, o que ficou mais evidente no segundo trimestre e deve se aprofundar à frente.
“O segundo trimestre, na margem, deve mostrar uma desaceleração evidente, caminhando para uma possível queda do PIB no terceiro trimestre”, avalia o economista, observando que os primeiros números de julho, ainda incipientes, apontam enfraquecimento maior. “É uma economia que já perdeu tração no segundo trimestre, e é difícil imaginar que tenha reversão disso no terceiro e quarto trimestres”.
Um mapa de aquecimento elaborado pelo Bank of America (BofA), que inclui os principais dados econômicos mensais conhecidos para junho e julho, sustenta a visão do banco de que a atividade econômica arrefeceu de forma mais espalhada no período. De 10 dados acompanhados já disponíveis para o mês passado, três ficaram no campo negativo, enquanto quatro tiveram variação praticamente nula. Em junho, 6 deles recuaram.
Com informações do Portal Money Times





