As exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul já renderam US$ 1,33 bilhão entre janeiro e julho deste ano, consolidando a proteína entre os principais produtos vendidos pelo Estado ao exterior.
O resultado representa crescimento superior a 40% na comparação com o mesmo período de 2025.
O avanço também ocorreu na quantidade comercializada. Nos sete primeiros meses de 2026, foram embarcadas aproximadamente 212 mil toneladas de carne bovina, cerca de 20% a mais que no mesmo intervalo do ano passado.
A carne aparece atrás apenas da soja e da celulose entre os principais produtos da pauta de exportações de Mato Grosso do Sul. Até julho, a soja movimentou US$ 2,43 bilhões e a celulose, US$ 1,83 bilhão. Juntos, os três produtos responderam por mais de 77% das vendas externas do Estado.
O crescimento da carne bovina foi impulsionado principalmente pela demanda internacional e pela valorização do produto. No primeiro semestre, o preço médio da tonelada exportada por Mato Grosso do Sul havia avançado 19,7%.
A China teve papel decisivo nesse desempenho. Entre janeiro e junho, o valor das compras chinesas de carne bovina sul-mato-grossense cresceu 109% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas para os Estados Unidos também avançaram, com alta de 41,7%.
O cenário, porém, mudou de ritmo em julho. Na comparação com junho, a receita obtida por Mato Grosso do Sul com as vendas de carne bovina para a China caiu 46%. Considerando todos os destinos, o faturamento mensal com a proteína recuou 17%.
Apesar da queda no mês, a China permanece como principal mercado dos produtos sul-mato-grossenses. Considerando toda a pauta de exportações, o país asiático respondeu por 49,16% das vendas externas de Mato Grosso do Sul entre janeiro e julho.
Carne ganha espaço na pauta
A expansão registrada neste ano fez a carne bovina reduzir a distância em relação à celulose. No primeiro semestre, a proteína já representava 20,6% das exportações do agronegócio estadual, enquanto a celulose respondia por 25,3%.
O movimento ocorreu em direções diferentes. Enquanto a receita obtida com carne avançou, a celulose enfrentou queda nos preços internacionais. No primeiro semestre, o preço médio da tonelada de carne exportada subiu 19,7%, enquanto o da celulose caiu cerca de 7,8%.
Segundo a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o avanço não significa necessariamente que a carne esteja substituindo a celulose na pauta estadual, mas reflete condições diferentes de mercado para os dois produtos.
Mercado externo terá novos desafios
O desempenho da carne bovina nos próximos meses também dependerá das condições impostas pelos principais compradores.
Entre os pontos acompanhados pelo setor estão as condições de acesso ao mercado chinês e as novas exigências da União Europeia relacionadas à comprovação do uso de antimicrobianos na produção animal.
A capacidade de ampliar os destinos da carne produzida em Mato Grosso do Sul, além do comportamento do câmbio e dos preços internacionais, deverá pesar sobre o resultado das exportações no segundo semestre.
No mercado de trabalho, a cadeia também apresentou saldo positivo no primeiro semestre. A pecuária abriu 611 vagas formais no período, das quais 455 foram diretamente na criação de bovinos.





