Política e Transparência

Candidatos arrecadam R$ 78 mi e recebem R$ 650 mi de partidos em 10 dias

Campanhas de Flávio Bolsonaro e de Lula são as que mais receberam recursos até agora






Os candidatos das eleições gerais de 2026 arrecadaram, em dez dias de campanha, cerca de R$ 78,4 milhões por meio de doações de pessoas físicas, além de financiamento coletivo e repasses de outros candidatos.
Esse valor ainda é uma fatia minoritária dos R$ 770 milhões levantados pelas campanhas. Os partidos políticos são a principal fonte, respondendo por cerca de 85% da cifra, ou R$ 648,5 milhões.
O recurso de campanha ainda inclui R$ 42,7 milhões que os próprios candidatos desembolsaram. Os dados foram extraídos nesta quarta-feira (26) pelo sistema Divulgacand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

As cifras ainda estão distantes do que deve ser gasto pelos candidatos.

Em 2022, as doações de pessoas físicas superaram R$ 1,1 bilhão, considerando valores atualizados pela inflação.

Além disso, os partidos repassaram até agora cerca de 12% (R$ 591 milhões) dos quase R$ 5 bilhões reservados para o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), conhecido como fundão.

O PL é o partido com direito à maior fatia do fundão, mais de R$ 880 milhões. O partido que tem Flávio Bolsonaro como candidato a presidente repassou cerca de 30% do valor.

Em seguida, o PT do presidente Lula tem cerca de R$ 615 milhões, sendo que 15% da verba foi entregue aos candidatos, segundo os dados desta quarta.

O PC do B é a legenda que distribuiu o maior percentual do fundão, cerca de metade dos R$ 60,5 milhões disponíveis, seguido pelo Novo, que entregou aos candidatos 44% dos R$ 37 milhões a que tem direito.

Os partidos ainda têm outras fontes de financiamento de campanha, mas em menor volume, como doações privadas e o fundo partidário.

O levantamento feito pela Folha não somou um repasse de R$ 1 bilhão do PL a Diogo Siqueira, candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, registrado no sistema do TSE. A assessoria do candidato disse que o valor real é de R$ 1 milhão, que houve erro no registro e que o valor será corrigido.

As campanhas presidenciais de Flávio Bolsonaro e de Lula são as que mais receberam recursos até o momento, sendo R$ 42 milhões para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e R$ 35,2 milhões para a campanha do atual presidente.

Outros candidatos

Outros três candidatos a cargos majoritários do PL completam a lista das cinco campanhas que mais declararam receitas até o momento: o senador Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná, com R$ 11 milhões, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, com R$ 5,8 milhões, e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), que tenta uma vaga no Senado, com R$ 5 milhões.

Esses números levam em conta todos os valores recebidos. Quando o recorte é só por doações de pessoas físicas, o primeiro lugar é do candidato do PL ao Governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe (PL). Ele declarou R$ 3,3 milhões até o momento.

Em seguida vem o candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL-RS), com R$ 2,5 milhões declarados até o momento. Completando o pódio está o deputado federal Mendonça Filho (PL-PE), que busca uma vaga no Senado. Ele informou já ter recebido R$ 1,6 milhão em doações.

A lista dos maiores doadores de campanha é encabeçada por Alexandre Grendene, cofundador da empresa de calçados Grendene, que destinou R$ 3 milhões. Zucco (PL) ficou com a maior parte, R$ 2,5 milhões, enquanto a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará recebeu o restante.

Pedro Grendene, irmão gêmeo de Alexandre, também aparece na lista com a terceira maior soma doada, de R$ 700 mil, sendo R$ 500 mil para Ciro Gomes e R$ 200 mil para Fabiano Feltrin (PL), candidato a deputado estadual pelo RS.

A relação de maiores doadores também conta com Fabiano Silveira, advogado e ex-ministro da Transparência no governo Michel Temer. Ele destinou R$ 2 milhões para o MDB da Paraíba, segunda maior soma enviada até agora para a eleição. (Jornal de Brasília)