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Enchente no Nepal deixa quase 1,5 mil desaparecidos

Tragédia na fronteira com o Tibete já deixou centenas de mortos; turistas estrangeiros estão entre as pessoas ainda não localizadas






O número de desaparecidos após a enchente devastadora que atingiu a região de Rasuwa, no Nepal, aumentou drasticamente. Quase 1,5 mil pessoas ainda não haviam sido localizadas nesta quinta-feira (27), um dia depois de uma avalanche de gelo, rochas e detritos provocar uma enxurrada de grandes proporções na fronteira com o Tibete.

Imagens registraram a força da enchente que atingiu o distrito de Rasuwa, no Nepal, na quarta-feira (26). 

O balanço mais recente também aponta para centenas de mortes. Informações divulgadas nesta quinta indicam que mais de 270 corpos já haviam sido encontrados, enquanto as equipes de resgate continuavam percorrendo as áreas atingidas.

Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros que viajavam pela região. A lista inclui turistas da Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Malásia, Coreia do Sul e outros países. O levantamento inicial do Conselho de Turismo do Nepal apontava 384 viajantes desaparecidos, mas o número aumentou à medida que autoridades passaram a receber informações de outras regiões atingidas.

Imagens registradas por moradores mostram a força da correnteza avançando pelo vale e carregando grande quantidade de lama, pedras e destroços. Casas, estradas, pontes e instalações de geração de energia foram atingidas ao longo do caminho.

As primeiras informações apontavam que um terremoto poderia ter provocado uma avalanche e bloqueado temporariamente um curso d'água. Avaliações posteriores indicam que o colapso de parte de uma geleira no Himalaia lançou uma grande quantidade de gelo, rochas e detritos no vale, desencadeando a inundação repentina que avançou pela região.

A tragédia também atingiu a infraestrutura energética do Nepal. Usinas hidrelétricas instaladas no vale foram danificadas, deixando áreas sem eletricidade e dificultando as operações de emergência. Segundo a Associated Press, as instalações afetadas representam cerca de 10% da capacidade de geração de energia do país.

Milhares de integrantes das forças de segurança e equipes de emergência foram mobilizados para procurar sobreviventes. Helicópteros também participam da operação, principalmente no resgate de pessoas isoladas em áreas montanhosas e de difícil acesso.

Do lado chinês da fronteira, as autoridades também realizam buscas. O presidente Xi Jinping determinou a ampliação das operações de resgate e assistência às regiões afetadas. O desastre atingiu áreas dos dois lados da fronteira entre o Nepal e o Tibete, aumentando a dimensão da operação de emergência.