A volta da arara-azul à lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, em junho deste ano, reforça a urgência de ações voltadas à conservação da espécie.
Nesse contexto, o fotógrafo e ambientalista Mario Barila, fundador do Projeto Água Vida, participa de uma nova ação de plantio no Pantanal, dando continuidade ao trabalho iniciado com a criação do primeiro Bosque das Araras, em Bonito (MS), em outubro de 2025.
Desta vez, 50 mudas serão plantadas em uma área da Fazenda Caiman, em uma iniciativa do Instituto Arara Azul que, além de seus parceiros, conta com o apoio do Projeto Água Vida. A entrega das mudas será realizada no dia 26 de agosto, a partir das 7h, com a participação de Barila.
Entre as espécies estão árvores frutíferas e silvestres, com destaque para o manduvi, também conhecido como amendoim-de-bugre ou amendoim-de-arara. A árvore é especialmente importante para a arara-azul, que utiliza cavidades em seu tronco para fazer seus ninhos.
“O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma Mario Barila.
As mudas serão doadas pelo Projeto Água Vida e fornecidas pela Chácara Boa Vida, da viveirista Élida Aivi, parceira de longa data da iniciativa. O local possui uma área dedicada à produção de espécies que servem de alimento e abrigo para as araras, criada a partir de insumos anteriormente doados pelo projeto.
O plantio será realizado próximo à Base de Pesquisas do Instituto Arara Azul, que mantém parceria com a Fazenda Caiman desde 1998. Ao longo dos anos, a área se tornou um importante centro de reprodução da arara-azul em ambiente natural. Esta será a terceira parceria de Mario Barila com o Instituto.
“Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios. A espécie depende de poucas árvores para fazer seus ninhos, especialmente o manduvi. Sua alimentação também depende principalmente de dois frutos, o acuri e a bocaiuva. A doação de mudas pelo Projeto Água Vida fortalece esse trabalho de recuperação do ambiente e a formação do Bosque das Araras”, afirma Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul.
Do Pantanal para a aldeia
Durante a mesma viagem, Barila estará na Aldeia Tomázia, no território indígena do povo Kadiwéu, conhecido como “os índios cavaleiros do Pantanal”. Além de plantar manduvis e árvores frutíferas pantaneiras, o fotógrafo realizará um ensaio com os indígenas e seus cavalos, que estarão caracterizados com as tradicionais pinturas de festa.
A escolha do local também amplia o alcance da iniciativa. As árvores frutíferas poderão ser consumidas pela própria comunidade, enquanto os manduvis contribuirão para a recuperação da vegetação importante para a fauna pantaneira.
As imagens produzidas por Barila farão parte do trabalho do Projeto Água Vida, que comercializa fotografias para financiar ações socioambientais em diferentes biomas brasileiros.
Para Barila, a criação de novos bosques representa uma forma concreta de contribuir para a recuperação dos ambientes dos quais as espécies dependem.
“Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma.





