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Em SP, candidato preso conseguia apagar ficha criminal de sistema da polícia

Investigação contra candidato à Alesp Emerson Rocha (Podemos) por homicídio e tentativa de homicídio cita manipulação em rede da Prodesp






Um relatório anexado ao processo que investigava o candidato a deputado estadual por São Paulo Emerson Dias Rocha (Podemos) por homicídio e tentativa de homicídio aponta que dados criminais do réu eram excluídos ou adulterados do sistema da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo).

Emerson é um dos presos da Operação Cátaros, deflagrada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) na última quinta-feira (20).

Antes de ser detido preventivamente por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) nesta semana, o candidato à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) já possuía extensa ficha criminal, de acordo com as investigações.

Um ofício assinado pelo especialista em informática da Polícia Civil Breno Tadeu Rios de Almeida confirmou a ocorrência de manipulação criminosa na rede da Prodesp em, ao menos, quatro registros, todos datados de 1999.

No processo, a Prodesp forneceu um relatório detalhado de acessos registrando a data, a hora e o nome do funcionário cuja credencial foi utilizada para visualizar ou alterar o prontuário de Emerson na época em que os dados sumiram.

No mesmo documento, a empresa de tecnologia informou que todas as informações excluídas ou adulteradas haviam sido recuperadas, com exceção de um inquérito policial que ainda aguardava cópia do Boletim de Identificação Criminal pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), órgão da Polícia Civil responsável por emitir atestados de antecedentes criminais.

Candidato usava nome falso, denunciou MPSP

Emerson Dias Rocha era investigado por um homicídio e uma tentativa de homicídio, ocorridos em 8 de novembro de 1998. Uma denúncia do Ministério Público de São Paulo à época aponta que as duas vítimas voltavam de um aniversário em um bar e aguardavam em um ponto de ônibus, quando uma delas foi atingida pelo veículo dirigido por Emerson, que estava em marcha à ré.

Ao reclamar com o hoje candidato a deputado, a mulher atingida foi fisicamente agredida por ele, quando um amigo interveio na intenção de defendê-la. Em seguida, os dois saíram correndo, mas voltaram a cruzar com Emerson Rocha momentos depois.

Nesse segundo contato entre os envolvidos, Emerson teria saído do carro em que estava e, armado, passou a atirar contra a dupla. O homem não resistiu aos ferimentos e morreu, enquanto a mulher sobreviveu por ter recebido atendimento médico imediato.

Durante as investigações dos fatos, o réu chegou a receber a ajuda de um investigador da Polícia Civil para ocultar provas do crime. Segundo o Ministério Público, o policial Flávio Marzagão Cassaguerra usou de grave ameaça para coagir testemunhas a mentirem em favor de Emerson.

O mesmo processo também aponta que Emerson Dias Rocha usava um nome falso, Felipe de Souza Neves, e conseguiu obter porte de arma de fogo com ele.

O agora candidato à Alesp foi condenado, em 2008, pela tentativa de homicídio. Ele recebeu pena de 4 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial semiaberto. A defesa recorreu, e o processo foi levado ao STF (Supremo Tribunal Federal), com julgamento em 2020.

Emerson nunca chegou a cumprir pena pelo crime. A Justiça reconheceu a prescrição da pretensão executória, ou seja, a pena foi extinta, já que já haviam se passado 12 anos desde que o processo transitou em julgado até a data de apreciação do recurso pelo STF.

Já em relação à acusação de homicídio, Emerson Dias Rocha foi absolvido.

 
 
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