O vereador Senival Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira (25) durante uma operação do MPSP (Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público.
Além do político, outras duas pessoas foram presas. Entre os alvos dos cinco mandados de prisão, além do vereador, estão integrantes da facção e o presidente da empresa de transporte coletivo Transunião. A ação faz parte da "Operação Última Parada".
Segundo apuração da CNN Brasil, os alvos dos mandados de prisão são Jair Ramos de Freitas, conhecido como 'Cachorrão', réu pelo assassinato do ex-presidente da Transunião; Devanil de Souza Nascimento, também réu pelo assassinato do ex-presidente da Transunião; o vereador do PT Senival Moura; Leonel Moreira Martins, que seria o operador financeiro do esquema; e Lourival de França Monario, atual presidente da Transunião
Até o momento, foram presos Jair Ramos de Freitas, Devanil de Souza Nascimento e o vereador.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa de todos os citados. O espaço segue aberto.
Investigações
A investigação, que começou a partir do assassinato de Adauto Soares Jorge, até então presidente da Transunião, em 2020, reuniu provas no que diz respeito ao uso da concessionária pelo PCC para lavar dinheiro.
A empresa, só em 2025, auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano.
Entre as medidas da operação, a Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e a comunicação à prefeitura para adoção das providências administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis, incluindo intervenção administrativa.
Em nota, a prefeitura de São Paulo, por meio da SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte) e da SPTrans, informou que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população.
A administração municipal disse que aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias.
"Estamos acompanhando o desdobramento da operação ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã. Gostaria de lembrar que assinei dois decretos em 2024 para romper contratos com uma empresa de ônibus que teria relação com o crime organizado. Nossa gestão mantém o compromisso de oferecer o melhor serviço para os 7 milhões de passageiros diariamente na cidade. As medidas cabíveis em relação à empresa Transunião serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes", afirmou o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Núcleo paralelo na empresa
As apurações indicam ainda a existência de um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à Transunião, como a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. Além disso, a própria mudança societária da companhia, segundo a investigação, partiu do crime.
Foi registrado um salto no capital social da empresa de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões. A origem do dinheiro não ficou clara para os investigadores.
Outro fator que chamou a atenção dos apuradores foi o fato de o circuito econômico usado para a lavagem de capitais detectado na Operação Última Parada ter pontos de contato com os dos esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi.
A última foi deflagrada pela Polícia Federal com foco no tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a 'Ndrangheta, grupo mafioso sediado na Itália.
Esquemas do PCC no transporte
Em 2024, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo) deflagrou a Operação Fim da Linha e desarticulou duas organizações criminosas que lavavam dinheiro do PCC vindo do tráfico de drogas, roubos e outros delitos por intermédio da UPBUS e da Transwolff.
As duas empresas de ônibus eram responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros diariamente na maior cidade do país.
Segundo as investigações, elas receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023. (Com CNN)





