Política e Transparência

Para Rose Modesto a prefeita sabia de tudo que a PF apura

“Perdemos para a mentira, o uso desenfreado do poder econômico e a compra de votos”, diz a ex-candidata.






A disputa no segundo turno da sucessão campo-grandense acabou com uma vantagem bem apertada de Adriane Lopes sobre Rose Modesto: 51,45% dos votos contra 48,55%. Não apenas pelo placar, mas por outros fatores noticiados e até denunciados formalmente na campanha, como o envolvimento aberto da máquina pública pela prefeita, as promessas em tom eleitoral nos atos oficiais da prefeitura e o envolvimento de pessoas de seu staff oficial nas ações de mobilização e propaganda.

Com isto, logo surgiram as suspeitas de movimentações irregulares e nada republicanas no assédio eleitoral. No dia seguinte à proclamação do resultado, dois partidos ingressaram na Justiça Eleitoral reivindicando a anulação do pleito e a cassação das candidaturas de Adriane e da vice, Camila Nascimento. Por sua vez, Rose reafirmava as suspeitas que havia levantado ainda no primeiro turno.

Agora, ao analisar a Operação Suffragium – deflagrada pela Polícia Federal (PF) para avançar as investigações sobre a denúncia da compra de votos, Rose acredita que serão esclarecidos alguns pontos obscuros, entre os quais a possibilidade da compra de votos, foco das denúncias que foram formuladas à Justiça Eleitoral. “Há muito tempo Campo Grande espera por uma providência decente sobre as gravíssimas denúncias de compra de voto nas últimas eleições”, assinalou.

“Tudo denunciado”

Rose lembra ter alertado sobre isto e tirou a conclusão: “Perdemos para a mentira, para o uso desenfreado do poder econômico e a compra de votos. Tudo isso foi denunciado por vídeos feitos em flagrante durante o período eleitoral. Nem o mais inocente dos eleitores acredita que tudo isto aconteceu sem o conhecimento e a anuência da prefeita que está aí”, frisa a ex-candidata em um vídeo que circula nas redes sociais.

Ela considera a operação da PF “um alento para quem foi e é vítima desta enorme injustiça”. E arremata, esperançosa: “Agora é aguardar a decisão superior, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Se este processo está parado em alguma gaveta, isto é um absurdo, porque quase metade do mandato já está indo embora. A Justiça tarda, mas eu ainda acredito: não falha. Eu tenho fé”.