A intervenção decretada pela Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus entrou em uma nova etapa na terça-feira (16), com o início dos trabalhos da equipe responsável por analisar a gestão da concessionária que opera o transporte coletivo da Capital.
Ao apresentar os interventores, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou, durante entrevista coletiva, que a medida busca enfrentar problemas históricos do sistema e garantiu que os serviços continuarão funcionando normalmente durante o período de apuração.
Segundo a prefeita, a prioridade neste momento é realizar um diagnóstico detalhado da situação financeira, operacional, administrativa e jurídica do consórcio.
A intervenção terá duração inicial de 180 dias e prevê a substituição temporária da diretoria da empresa pela equipe nomeada pelo município.
Durante coletiva de imprensa, Adriane reforçou que os usuários não serão prejudicados e que os mais de mil trabalhadores ligados às empresas consorciadas continuarão exercendo suas funções normalmente.
“Eu quero deixar bem claro que o serviço não será interrompido. Quero informar aos mais de mil funcionários que trabalham no consórcio e nas empresas consorciadas que não haverá demissões. Estamos trabalhando pacificamente para uma mudança necessária”, afirmou.
A comissão já atua na sede do Consórcio Guaicurus e, a partir desta quarta-feira (17), passa a contar também com a presença do interventor principal, Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, que coordenará os trabalhos.
Diagnóstico antes de mudanças
A equipe terá acesso às contas da concessionária, contratos firmados, investimentos realizados e demais informações relacionadas à operação do transporte coletivo. O objetivo é identificar eventuais falhas na execução do contrato e levantar dados que possam embasar futuras decisões do município.
Entre as possibilidades estão a exigência de novos investimentos por parte da concessionária ou até mesmo a abertura de um novo processo licitatório para a prestação do serviço. Medidas emergenciais também poderão ser adotadas caso sejam constatadas situações que afetem diretamente os usuários.
A administração municipal destaca que a intervenção não tem como foco promover mudanças imediatas, mas reunir informações que permitam avaliar a real situação do sistema e apontar caminhos para sua reestruturação.
Frota envelhecida está entre os desafios
Um dos problemas que devem ser analisados pela equipe é a idade da frota utilizada pelo consórcio. Durante a coletiva, o interventor Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira reconheceu que os veículos operam acima da média prevista em contrato e classificou a falta de renovação como um dos fatores que contribuíram para a atual situação.
Apesar disso, ele afirmou que não existe previsão para substituição imediata dos ônibus, já que os veículos seguem sendo necessários para garantir a continuidade do transporte público durante o período de intervenção.
Segundo o interventor, a renovação da frota faz parte das soluções que precisarão ser discutidas após a conclusão do diagnóstico, juntamente com outras medidas voltadas à melhoria da qualidade do serviço oferecido à população.
Equipe reúne especialistas de diferentes estados
A intervenção conta com quatro profissionais indicados para áreas específicas da gestão da concessionária.
O coordenador dos trabalhos será Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, advogado com experiência em regulação e fiscalização de serviços públicos. Na área administrativo-financeira, atuará Rodolfo Bahiense Fernandes, consultor empresarial com experiência em concessões de transporte.
O núcleo jurídico ficará sob responsabilidade de Alexandre Souza Moreira, atual procurador-chefe da Agetran {Agência Municipal de Transporte e Trânsito}. Já a área operacional será acompanhada por Robson Tadeu Pereira, especialista em concessões públicas e com atuação em projetos de saneamento e parcerias público-privadas.
A expectativa da Prefeitura é que o trabalho da equipe permita esclarecer a situação do contrato e apontar medidas para melhorar o transporte coletivo de Campo Grande, tema que há anos é alvo de reclamações de usuários e discussões entre o poder público e a concessionária.






