Política e Transparência

Reinaldo diz que dívida pública se aproxima do tamanho do PIB brasileiro

Ex-governador vê deterioração fiscal, cobra protagonismo do Senado e cita MS como exemplo de gestão






O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PL), criticou nesta quarta-feira (17) o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao apontar o crescimento da dívida pública, os juros elevados e a situação fiscal do país. 

Pré-candidato ao Senado, ele defendeu reformas estruturantes, redução do tamanho da máquina pública e maior protagonismo do Congresso Nacional na discussão de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento do Brasil.

Reinaldo afirmou que o Brasil atravessa um momento de baixo crescimento econômico diante do potencial que possui. 

Segundo ele, a dívida pública já se aproxima do tamanho do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto os juros elevados dificultam investimentos, encarecem o crédito e ampliam o endividamento da população.

Na avaliação do ex-governador, a condução da política econômica pelo governo federal tem contribuído para o agravamento desse cenário.

“Eu entendo que o Governo Federal tem responsabilidade sobre o atual cenário econômico. Aliás, é o desgoverno atual que leva os juros à estratosfera”, afirmou, em entrevista exclusiva ao portal ConecteMS .

Ele também alertou para as dificuldades enfrentadas por empresas de diversos setores e pelo agronegócio, responsável por uma parcela significativa da economia brasileira. 

Para o presidente estadual do PL, o ambiente econômico atual tem reduzido a capacidade de crescimento do país e aumentado os desafios para quem produz, investe e gera empregos.

O ex-governador também citou o período da pandemia da Covid-19 para defender maior responsabilidade fiscal. Segundo ele, a taxa Selic chegou a ficar próxima de 4% ao ano naquele período. 

"Já tivemos Selic próxima de 4% ao ano, em plena pandemia. É possível avançar, mas para isso é preciso responsabilidade fiscal. Gastar sem controle leva ao cenário que estamos vivendo hoje. No fim, alguém sempre vai pagar essa conta", afirmou.

Senado e reformas

Ao falar sobre a disputa eleitoral de 2026, Reinaldo afirmou que pretende defender uma agenda voltada à modernização do Estado e à aprovação de reformas consideradas essenciais para melhorar a eficiência da administração pública.

Segundo ele, o Senado poderia exercer papel mais relevante na discussão de temas estratégicos para o país.

“Eu acredito que o Senado poderia ter um protagonismo maior nas reformas, apoiando aquilo que é importante para a população brasileira. Mas acho que esse papel acabou ficando em segundo plano.”

O ex-governador avalia que a renovação de dois terços das cadeiras da Casa poderá abrir espaço para uma agenda menos focada na polarização política e mais voltada à geração de oportunidades, ao crescimento econômico e à melhoria da qualidade de vida da população.

Para ele, a próxima legislatura terá a responsabilidade de avançar em debates que considera fundamentais para o futuro do país.

Tamanho da máquina pública

Entre as pautas defendidas pelo pré-candidato está a retomada das discussões sobre as reformas administrativa, fiscal e previdenciária. 

Ele entende que a estrutura do governo federal precisa passar por uma revisão para reduzir custos e aumentar a eficiência da gestão pública.

“Vamos ter de voltar a discutir as reformas e o tamanho da máquina pública. Ter 38 Ministérios é algo difícil de justificar. Eu entendo que as reformas administrativa, previdenciária e fiscal são fundamentais para qualquer governo.”

Reinaldo também defendeu uma análise sobre a permanência de empresas estatais que operam com prejuízo, argumentando que estruturas deficitárias precisam ser reavaliadas para evitar impactos sobre os cofres públicos.

Segurança jurídica

Outro tema abordado durante a entrevista foi a necessidade de fortalecer a segurança jurídica e garantir maior previsibilidade institucional para estimular investimentos.

Na visão do ex-governador, o Senado deve atuar para preservar as prerrogativas dos Poderes e assegurar o equilíbrio institucional previsto na Constituição.

“Hoje, uma das questões centrais é colocar cada Poder no seu devido lugar. Não dá mais para conviver com interferências que ameaçam as prerrogativas constitucionais dos senadores, deputados e demais parlamentares. Essa é uma cobrança da sociedade e o Senado precisa dar respostas.”

Ele argumenta que a estabilidade institucional é um dos fatores mais importantes para ampliar a confiança de investidores e criar um ambiente favorável à geração de empregos e renda.

Mato Grosso do Sul como exemplo

Ao defender maior participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura, Reinaldo citou Mato Grosso do Sul como exemplo de parceria capaz de acelerar investimentos e ampliar a oferta de serviços públicos.

O ex-governador destacou o avanço do Estado rumo à universalização do esgotamento sanitário por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada), modelo que, segundo ele, reduziu significativamente o prazo necessário para execução das obras.

“Mato Grosso do Sul será o primeiro estado a universalizar o esgotamento sanitário. Isso significa saúde para a população. Estamos fazendo isso por meio de uma PPP. Com recursos próprios, o Estado levaria cerca de 50 anos para concluir esse processo. Com a participação da iniciativa privada, vamos fazer em seis anos.”

Integração regional

Reinaldo também defendeu uma atuação mais forte do Senado na abertura de mercados para os produtos brasileiros e no fortalecimento das relações comerciais com outros países.

Ao citar a Rota Bioceânica, destacou a importância de criar condições legais e diplomáticas para facilitar o transporte de mercadorias entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, ampliando a competitividade da produção nacional.

O pré-candidato argumentou ainda que o país possui condições de expandir sua produção sem abrir mão da preservação ambiental, conciliando desenvolvimento e sustentabilidade.

Ao comparar os resultados obtidos por Mato Grosso do Sul nos últimos anos com os índices nacionais, ele afirmou que o Brasil tem potencial para crescer em ritmo mais acelerado e entregar mais oportunidades à população.

“O Brasil pode mais. E o Senado também pode entregar mais para a população.”