Política e Transparência

Soraya tem contas rejeitadas e poderá ter de devolver R$ 4,8 milhões

Parecer do Ministério Público Eleitoral aponta irregularidades na campanha presidencial de 2022 e recomenda ressarcimento aos cofres públicos.






A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) poderá ser obrigada a devolver cerca de R$ 4,8 milhões aos cofres públicos após o Ministério Público Eleitoral se manifestar pela rejeição das contas de sua campanha à Presidência da República em 2022.

O parecer, segundo reportagem do portal de notícias Investiga MS, também alcança o então candidato a vice-presidente na chapa, Marcos Cintra.

De acordo com a publicação, o valor apontado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, é resultado de irregularidades identificadas na movimentação de recursos públicos e na prestação de contas apresentada ao {Tribunal Superior Eleitoral}.

Entre os principais problemas apontados estão gastos sem comprovação adequada, recebimento de recursos considerados de fonte vedada, atraso na entrega de informações financeiras e inconsistências na prestação de contas parcial da campanha.

A maior parte do montante questionado, cerca de R$ 4,56 milhões, está relacionada à contratação de serviços de comunicação e produção de material audiovisual. Segundo a análise técnica, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a destinação final de parte dos recursos públicos utilizados nos pagamentos.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público envolve um repasse de R$ 2 milhões do Fundo Partidário informado fora do prazo legal. Na avaliação do órgão, o atraso prejudicou a transparência e o acompanhamento da movimentação financeira durante o período eleitoral.

O parecer também cita omissões de receitas e despesas, além de falhas consideradas relevantes pela área técnica do TSE. Somadas, as irregularidades representam mais de R$ 8 milhões entre receitas e gastos questionados.

Para o vice-procurador, o conjunto das inconsistências compromete a confiabilidade das contas da campanha presidencial de 2022, motivo pelo qual recomendou sua desaprovação e o ressarcimento dos valores apontados.

A palavra final caberá ao Tribunal Superior Eleitoral, que ainda analisará o parecer antes de decidir se as contas serão efetivamente rejeitadas e se haverá obrigação de devolução dos recursos.