A rejeição da segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal {PF} reforçou a desconfiança da oposição de que não há interesse do governo em ver avançar um acordo de colaboração neste momento. Parlamentares avaliam que uma eventual delação poderia provocar forte impacto político às vésperas do período eleitoral e atingir figuras relevantes da República.
A PF negou na quinta-feira (11) uma nova tentativa de acordo apresentada por Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.
A decisão foi comunicada ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal}, enquanto a PGR (Procuradoria-Geral da República} segue analisando a proposta.
Nos bastidores de Brasília, oposicionistas sustentam que uma colaboração premiada do banqueiro poderia trazer esclarecimentos sobre relações políticas e empresariais que ainda cercam o caso. Entre os episódios frequentemente citados está a revelação de encontros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Vorcaro que não constaram na agenda oficial, fato já divulgado por veículos da imprensa nacional.
As razões da nova rejeição permanecem sob sigilo. Na primeira negativa, ocorrida no mês passado, investigadores concluíram que o banqueiro não apresentou informações inéditas em relação ao material já reunido pela investigação nem admitiu a prática de crimes.
Preso desde março, após a terceira fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e negociações relacionadas à tentativa de compra da instituição pelo BRB (Banco Regional de Brasília}, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.
Enquanto tenta viabilizar um acordo de colaboração, o banqueiro permanece detido em uma sala da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Com Agência Brasil)





