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Caso de árbitro barrado nos EUA gera críticas de Blatter à Fifa

Ex-presidente critica episódio e diz que entidade falhou ao não garantir entrada do somali nos EUA






A polêmica envolvendo o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que apitaria a Copa do Mundo e foi barrado pela imigração dos Estados Unidos, ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira.

O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter fez críticas duras à entidade e ao atual presidente dela, Gianni Infantino, pela falta de autoridade na gestão do caso.

Blatter presidiu a entidade entidade máxima do futebol entre 1998 e 2015, quando renunciou ao cargo em decorrência do escândalo de corrupção denominado "Fifagate".

Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Blatter classificou o episódio com o árbitro africano como "inacreditável e absurdo" e responsabilizou diretamente a Fifa pela situação, ao não garantir a entrada de um dos oficiais do torneio no país-sede.

Segundo o ex-dirigente de 90 anos, permitir que um árbitro seja impedido de entrar no país compromete princípios básicos da organização do Mundial.

"É inacreditável e absurdo. Quando um país é escolhido para sediar uma Copa do Mundo, existem dois princípios sagrados e fundamentais", disse.

- O primeiro é a segurança , que o país deve garantir para o evento. O segundo é a concessão de vistos de entrada a todos os dirigentes da Fifa. E não há nada mais oficial do que um árbitro. Se um país nega a entrada a um árbitro, é um problema sério, e a Copa do Mundo não deveria ser realizada em tal país - complementou Blatter.

O episódio envolvendo Artan veio a público na terça-feira, quando o árbitro da Somália foi impedido de entrar nos Estados Unidos após uma longa entrevista com autoridades de imigração.

O juiz relatou que ficou 11 horas sendo interrogado e chegou a ser levado a uma cela de retenção antes de ser deportado.

A Fifa confirmou posteriormente que Artan está fora do Mundial, alegando que não interfere nos processos de imigração dos países-sede - posição que agora é alvo direto das críticas de Blatter.

- A culpa recai principalmente sobre a Fifa: ela abandonou esse princípio, que o país (os Estados Unidos) não respeitou. Não podemos impedir o torneio, mas é ultrajante - reforçou o ex-dirigente.

Críticas a Infantino

O ex-dirigente ainda criticou a relação entre futebol e política no caso, sugerindo que a Fifa deveria ter agido com mais firmeza diante das decisões do governo norte-americano.

- O atual presidente {Gianni Infantino} deveria mostrar que é mais forte que seu bom amigo na Casa Branca {Donald Trump}, não é mesmo? Quando você começa a deixar a política te controlar, é ruim. E as outras federações também deveriam protestar... - afirmou Blatter.

O caso acontece às vésperas do início da Copa do Mundo, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, e expõe uma tensão entre a Fifa e o país-sede logo antes do pontapé inicial.

Além de frustrar a participação de um dos árbitros mais respeitados da África - eleito o melhor do continente em 2025 -, o episódio levanta questionamentos sobre a estrutura e a governança da competição. {Com ge - Paris}