Economia

Mesmo com embargo da UE, carne deve continuar cara no Brasil

Novos mercados para exportação e aumento de despesas logísticas e operacionais dificultam possíveis quedas nos custos






A suspensão das compras de carne brasileira pela União Europeia, confirmada pode gerar um prejuízo de US$ 1,8 bilhão por ano ao agronegócio brasileiro, mas não deve garantir o alívio nos preços para o consumidor nacional esperado com uma possível sobra dos produtos de origem animal no mercado interno.

Especialistas ouvidos pelo R7 explicam que a facilidade do Brasil em redirecionar as exportações para a Ásia e os Estados Unidos, somada aos novos custos logísticos e operacionais gerados pela medida, impedem uma queda drástica nos valores praticados pelos açougues.

O economista Hugo Garbe explica que há uma “possibilidade concreta” de o mercado interno absorver parte da produção originalmente destinada à União Europeia, o que, em circunstâncias normais, tenderia a reduzir os preços praticados no país. No entanto, caso o Brasil encontre rapidamente mercados alternativos para os produtos de origem animal, os impactos não seriam relevantes.

“A tendência mais provável não é uma queda abrupta dos preços da carne, mas sim uma acomodação moderada, possivelmente perceptível em determinados cortes e por um período limitado”, avalia.

Segundo Garbe, caso haja uma redução nos preços, ela dificilmente impactaria de maneira substancial a trajetória da inflação brasileira, apesar de a venda de carnes ter “peso relevante” no grupo de alimentação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

“O comportamento do IPCA continua sendo influenciado por variáveis muito mais amplas, como energia elétrica, combustíveis, serviços, política fiscal, taxa de câmbio e expectativas inflacionárias. Assim, mesmo que haja uma contribuição desinflacionária oriunda do setor de alimentos, ela pode ser parcialmente anulada por pressões vindas de outros componentes da economia”, argumenta. (Com informações do R7)