Campo Grande

MPE apura rombo de R$ 197,6 milhões na Saúde de Campo Grande

Promotoria apura atrasos a fornecedores e quer saber se dívida milionária contribui para a falta de medicamentos e insumos na rede municipal.






A gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) está no centro de uma investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) que apura um rombo de aproximadamente R$ 197,6 milhões na saúde pública da Capital.

A suspeita, segundo reportagem do G1MS, é de que o atraso no pagamento a fornecedores esteja contribuindo para a falta de medicamentos, insumos e materiais hospitalares em unidades da rede municipal.

O procedimento é conduzido pela 76ª Promotoria de Justiça, que decidiu acompanhar a situação financeira do Fundo Municipal de Saúde ao longo de 2026.

Dados obtidos pelo MPMS junto ao Sicont (Sistema Integrado de Planejamento, Finanças, Contabilidade e Controle) apontam que, entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, a saúde municipal acumulou R$ 285,8 milhões em restos a pagar — despesas empenhadas em exercícios anteriores e que permaneceram sem quitação. Desse total, pouco mais de R$ 88,2 milhões foram pagos, enquanto cerca de R$ 197,6 milhões seguem pendentes.

Além do passivo acumulado ao longo dos últimos anos, a Promotoria identificou mais de R$ 5 milhões em débitos relacionados ao fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares apenas em 2026. Segundo relatos recebidos pelo Ministério Público, algumas empresas estariam aguardando pagamento há mais de 500 dias.

Fornecedores

A investigação busca esclarecer se a escassez de medicamentos e insumos registrada em unidades da rede pública direta com a inadimplência junto aos fornecedores. Em ocasiões anteriores, a administração municipal atribuiu parte dos problemas a atrasos na entrega de produtos por parte das empresas contratadas.

Para aprofundar a apuração, o MPMS solicitou à prefeitura informações detalhadas sobre fornecedores com pagamentos em atraso superior a 30, 60 e 90 dias, além das justificativas para os débitos e a previsão de regularização dos valores pendentes.

Outro ponto sob análise é a abertura de um crédito suplementar de R$ 27 milhões destinado ao Fundo Municipal de Saúde em abril deste ano. A Promotoria quer saber de onde vieram os recursos e qual será a aplicação do montante.

O secretário municipal de Finanças também foi chamado a prestar esclarecimentos sobre a situação orçamentária da saúde e as medidas adotadas para reduzir o passivo financeiro. A investigação segue em andamento e poderá resultar em novas providências conforme o avanço das apurações.