Municípios

Prefeitos pressionam Lula e reclamam de programas sociais sem fonte de custeio

Sem participar da abertura XXVII Marcha a Brasília, que reúne mais de 15 mil gestores municipais na capital federal, Lula acabou chamando prefeitos pra o Planalto.






A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios aumentou o clima de insatisfação entre prefeitos de todo o país, que cobraram do governo federal respostas concretas para a crise enfrentada pelas administrações municipais.

Sem participar da abertura oficial do evento, que reúne mais de 15 mil gestores municipais nesta semana na capital federal, Lula acabou chamando prefeitos e representantes municipalistas para uma reunião no Palácio do Planalto.

O encontro contou com a presença dos 27 presidentes de entidades estaduais municipalistas, entre eles o presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) e prefeito de Itaquiraí, Thalles Tomazelli.

Mesmo com a reunião convocada pelo governo, prefeitos mantiveram o tom crítico em relação ao aumento das responsabilidades impostas às prefeituras sem a correspondente indicação de receitas para custear programas sociais, pisos salariais e novas obrigações aprovadas em Brasília.

Alegando impossibilidade de comparecer  pessoalmente à Marcha dos Prefeitos, Lula enviou o vice-presidente Geraldo Alckmin para representá-lo no evento organizado pela CNM (Confederação Nacional de Municípios).

Geraldo Alckmin foi muito vaiado durante o evento. 

A ausência foi interpretada por parte dos gestores como um sinal de distanciamento de Lula das dificuldades enfrentadas pelos municípios.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, alertou para o impacto financeiro provocado pelo avanço de projetos no Congresso Nacional que ampliam despesas das prefeituras sem compensação financeira.

“A realidade da sociedade nos obriga a adotar procedimentos, só que nós, os municípios, é que estamos lá na ponta. Hoje são mais de 300 projetos pedindo criação de piso. É uma pauta assustadora”, afirmou.

Ziulkoski também pediu apoio do governo federal para barrar matérias que aumentem os gastos municipais. Segundo ele, muitas cidades já operam no limite financeiro.

“Hoje, 80% do Fundeb é utilizado apenas para pagamento de salários. A gente não é contra aumento, mas a realidade do município é de não conseguir pagar”, declarou.

Nos debates da Marcha, prefeitos relataram preocupação com programas federais que ampliam obrigações nas áreas de saúde, assistência social e educação sem que haja reforço proporcional nos repasses da União, o que acaba pressionando ainda mais os caixas das prefeituras.

Lula, Ladrão

Durante o ato, os prefeitos puxaram um coro, "Lula, Ladrão, seu lugar é na prisão. O presidente Paulo Ziulkoski ainda tentou amenizar a manifestação, pedindo respeito, mas de nada adiantou. 

Reunião no Palácio do Planalto 

Durante a reunião no Palácio do Planalto, Lula reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos gestores municipais, mas afirmou apenas que as reivindicações serão analisadas pela equipe técnica do governo.

“Vamos montar uma equipe técnica da CNM e reunir aqui nossa equipe, e nós vamos trabalhar e dialogar para melhorar nossa relação”, disse o presidente.

Ao final do encontro, porém, o presidente da CNM lamentou a falta de medidas concretas por parte do governo federal. Segundo Ziulkoski, apesar das conversas mantidas entre técnicos da entidade e representantes da União nos últimos meses, nenhuma solução prática foi apresentada aos prefeitos durante a agenda em Brasília.

A Marcha dos Prefeitos é considerada o maior evento municipalista da América Latina e tem como principal objetivo pressionar o Congresso Nacional e o governo federal por mais recursos, revisão do pacto federativo e alívio financeiro para os municípios.