Política e Transparência

Vaquinha eleitoral supera meio milhão já no primeiro fim de semana

O financiamento coletivo online de pré-candidatos majoritários começou na última sexta-feira






O financiamento por meio de vaquinhas virtuais para pré-candidatos nas eleições deste ano ultrapassou a marca de meio milhão de reais em doações desde que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)  liberou o início das arrecadações, na última sexta-feira (15).

A CNN analisou os dados divulgados entre a manhã de sexta e a noite de domingo (17) por uma das empresas autorizadas pelo TSE a operar esse tipo de modalidade.

Ao todo, quatro instituições têm permissão para prestar o serviço. A “Quero Apoiar” é a única que, até o momento, disponibiliza as informações em seu site.

De acordo com os dados da empresa, o maior volume arrecadado no período é do pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão).

Até às 19h de domingo, o presidenciável somava R$ 165.550 em doações feitas por 2.406 apoiadores. Na pesquisa eleitoral mais recente, da DataFolha, Renan Santos aparece em 5º lugar, com 2% das intenções de voto.

Em segundo lugar aparece o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), que tentará uma vaga no Senado neste ano. No período analisado, o parlamentar arrecadou R$ 133.141 em doações feitas por 1.158 pessoas.

Veja abaixo o ranking dos pré-candidatos com mais doações na plataforma analisada:

01- Renan Santos (Missão), presidência: R$ 166.629
02- Marcel Van Hattem (Novo), Senado: R$ 133.876
03- Gustavo Gayer (PL), Senado: R$ 55.974
04- Jones Manoel (PSol), Câmara: R$ 54.512
05- Rony Gabriel (Podemos), Câmara: R$ 41.483
06- Daniel Soranz (PSD), Câmara: R$39.954
07- Kim Kataguiri (Missão), governo de SP: R$ 34.853
08- Ana Hering (Missão), Câmara: R$ 16.610
09- Victor Antoun (Missão), Câmara: R$ 14.203
10- Delegado Felipe Curi (PP), Câmara: R$ 13.195

Entre os partidos, o Missão lidera em arrecadação. Sozinha, a sigla já concentra mais de R$ 200 mil em doações. O partido foi criado pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e teve seu registro aprovado pelo TSE em novembro de 2025.

Vaquinhas virtuais
O financiamento coletivo por meio das vaquinhas virtuais foi incluído na legislação eleitoral pela reforma de 2017 como uma nova modalidade de arrecadação para campanhas. As doações para o pleito de 2026 começaram na última sexta-feira (15).

O modelo permite que plataformas digitais, aplicativos e outros serviços semelhantes intermedeiem doações feitas pela internet para candidatos e partidos. As arrecadações, porém, só podem ser realizadas por empresas previamente cadastradas e aprovadas pelo TSE.

Desde 2015 o financiamento eleitoral por empresas é proibido no Brasil após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Pela legislação atual, apenas pessoas físicas podem fazer contribuições para campanhas, enquanto as plataformas cadastradas no TSE atuam exclusivamente na operação das chamadas “vaquinhas virtuais”.

Plataformas
Para funcionar, essas plataformas precisam cumprir uma série de exigências da Justiça Eleitoral, como cadastro prévio no TSE, identificação obrigatória dos doadores com nome e CPF, emissão de recibos eleitorais e divulgação pública e atualizada das doações recebidas.

As operadoras também devem informar imediatamente à Justiça Eleitoral e aos candidatos os dados de cada contribuição realizada, além de deixar claras as taxas administrativas cobradas pelo serviço.

Até o momento, quatro empresas foram habilitadas pelo tribunal para operar o financiamento coletivo nas eleições deste ano: AppCívico Consultoria Ltda., Elegis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia e QueroApoiar.com.br Ltda. Apenas esta última, porém, concentrou quantidades relevantes de doações e deixou os dados públicos.

Apesar de a arrecadação ter sido liberada na sexta, os valores só podem ser repassados aos candidatos após o cumprimento de requisitos legais, como a abertura de conta bancária específica para campanha e a emissão dos recibos eleitorais.

Esta será a quinta vez que o financiamento coletivo poderá ser utilizado em eleições no Brasil. O modelo já foi adotado nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e 2024.

Nas eleições municipais de 2024, o financiamento coletivo movimentou mais de R$ 7 milhões em campanhas eleitorais, segundo dados da Justiça Eleitoral. Ao todo, 160 candidatos a prefeito declararam receitas obtidas por meio de “vaquinhas virtuais”, incluindo 12 prefeitos eleitos no primeiro turno. (Com CNN)