O ex-ministro da Casa Civil Zé Dirceu (PT) foi diagnosticado com linfoma, câncer no sistema linfático, no dia 10 de maio. A informação foi confirmada em nota na sexta-feira (15) pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
“Ele se encontra em boas condições clínicas e permanecerá internado para iniciar o tratamento específico”, informou o hospital.
O Hospital confirmou que o ex-ministro foi internado no dia 10 de maio e, após exames, o linfoma foi diagnosticado.
Em março, Dirceu havia anunciado, em visita a Campinas (SP), que se candidataria para o cargo de deputado federal nas eleições deste ano, 24 anos depois da última candidatura.
Procurada pela Jovem Pan, a assessoria de Zé Dirceu confirmou o diagnóstico e informou que, no momento, o político está bem.
“O prognóstico é bom, ele está bem e segue trabalhando normalmente”, disse a assessoria em nota.
Cabeça pensante
Cabeça pensante de campanhas do PT, José Dirceu foi preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato. Embora não exerça cargo oficial no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-ministro da Casa Civil voltou à articulação política partidária nos bastidores do governo e da legenda.
Hoje, José Dirceu atua como articulador político e pré-candidato a deputado federal pelo PT. Recentemente, retornou ativamente aos debates internos do partido defendendo a criação de uma frente ampla de esquerda. Ele também atua na formulação de propostas e diretrizes políticas e partidárias.
A candidatura do ex-minstro conta com o incentivo do próprio Lula, mas desperta dúvidas entre petistas. Além de dar munição a opositores pela imagem relacionada às condenações, ponderam alguns, há o diagnóstico em parte do partido de que a postulação seria mais uma reverência interna do que uma estratégia eleitoral eficaz, porque falaria a um nicho ideológico, mas sem trazer mais votos para o partido.
Dirceu, que foi deputado federal de 1999 a 2005, disputaria eleitores contra seus próprios correligionários. Sobretudo os que, como ele, têm uma base mais dispersa no território paulista. Um parlamentar do PT menciona, sob condição de anonimato, o risco de o ex-ministro afetar candidaturas como a do deputado federal Rui Falcão, que aceitou a briga pela presidência do PT contra Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP), o nome preferido de Lula.
Articuladores do partido dizem que Dirceu tem respaldo para buscar a vaga de deputado, o que já foi explicitado por Lula em reunião interna sobre a sucessão da ministra Gleisi Hoffmann no comando do PT. A justificativa é que ele nunca se afastou da sigla e da construção política ao longo dos anos, continua respeitado e está apto perante à Lei da Ficha Limpa para retornar ao Congresso.
Oriundo do movimento estudantil na ditadura, como Dirceu, e uma das lideranças do partido na década de 1980, Falcão já exerceu a presidência do partido por seis anos e foi um dos responsáveis por trazer de volta à legenda Marta Suplicy, além de indicá-la como vice na chapa derrotada de Guilherme Boulos (PSOL) na disputa pela prefeitura de São Paulo no ano passado.
O deputado diz que a candidatura do ex-ministro não causa desconforto na bancada federal e que ele tem o “direito de ir às urnas”. Dirceu não atendeu aos pedidos de entrevista.
Nos bastidores, há quem defenda que Dirceu tente o Senado. Seria uma estratégia arriscada, uma vez que o partido não elege um senador no estado desde 2010, com Marta Suplicy.
Núcleo íntimo
Embora não tenham sido nomeados para cargos na administração pública, aliados de primeira hora do período em que o presidente esteve preso em Curitiba compõem seu núcleo íntimo de articulação política e partidária.
Além de José Dirceu, nomes como Delúbio Soares e João Vaccari Neto, que foram alvos e presos na Lava Jato, mantiveram-se nos quadros do PT e têm atuado nos bastidores políticos de Brasília.
Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares continua atuando politicamente em Goiás. Já Vaccari, que foi secretário de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores e principal tesoureiro nacional da legenda entre 2010 e 2015, atua nos bastidores políticos de Brasília, exercendo influência estratégica e participando de articulações para a escolha de indicados a cargos relevantes na cúpula da Petrobras e na revisão de teses jurídicas da estatal. (Com informações da Jovem Pan e de O Globo)





