A Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou que o Lyon, da França, pague 21 milhões de euros (R$ 122,3 milhões) ao Botafogo em três dias. É a primeira decisão favorável ao clube carioca na justiça contra os franceses.
No início de abril, a SAF do Botafogo entrou com duas ações na Justiça do Rio cobrando quantias do Lyon, braço francês da Eagle Football, rede multi-clubes do americano John Textor em que o clube carioca está inserido.
O valor total das disputas gira em R$ 745 milhões e faz referência a transferências entre os clubes efetuadas sob o sistema de caixa único, que não está mais em vigor.
A vitória foi em um primeiro processo considerado um título de execução extrajudicial, o que permite ao Botafogo direito de execução imediata, em até três dias. Esta ação, que corre na 17ª Vara Civel da Comarca da Capital, corresponde a 21 milhões de euros de três transferências feitas ao Lyon em março de 2025. A empresa executada foi a Olympique Lyonnais SASU, sediada na França.
A sentença foi assinada pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, que deu prazo de 15 dias úteis para o Lyon apresentar eventuais embargos à decisão. O Lyon, neste prazo, deve comprovar o pagamento de 30% do valor e pode requerer que seja permitido pagar o restante em seis parcelas mensais.
Os advogados do Botafogo se baseiam em um contrato de empréstimo intra-grupo firmado em fevereiro do mesmo ano (leia detalhes abaixo). O acordo previa, dentre outros tópicos, a concessão de empréstimos internos na Eagle Football de até 100 milhões de euros, "com livre circulação de recursos".
Nos bastidores, a SAF entende que o processo tem jurisdição na Justiça do Rio apesar de o Lyon estar situado na França - isso porque, à época que o acordo foi firmado, o clube francês teria aceitado o foro jurídico no Rio de Janeiro.
Entenda o contexto Botafogo x Lyon
As desavenças entre Botafogo e Lyon, outrora parceiros próximos no caixa único da Eagle Football, não se limitam às ações do clube alvinegro na Justiça do Rio. John Textor deixou o comando do clube francês em junho de 2025 e nomeou controladores que, um mês depois, tentaram tirá-lo do Botafogo.
Mais recentemente, o americano acusou Michelle Kang e a Ares — presidente do Lyon e principal credora da Eagle Football, respectivamente — de serem responsáveis pelo transfer ban imposto ao Botafogo. O Lyon também acionou o Botafogo na Fifa pelo não pagamento da compra de Jeffinho.
No fim de março, John Textor perdeu seus poderes como diretor na Eagle Bidco, subsidiária da Eagle Football que detém propriedade dos clubes da rede, após a nomeação de administradores judiciais pela Justiça inglesa. A medida não afeta a gestão do americano no Botafogo; no entanto, ele pode ser removido do comando alvinegro por um Tribunal Arbitral da FGV que corre em paralelo. (ge)





