Política e Transparência

Manobra do PT muda jogo na CPI e enterra relatório contra ministros do STF

O parecer, apresentado pelo senador Alessandro Vieira, foi rejeitado por 6 votos a 4.






Uma articulação de última hora do Governo do presidente Lula (PT) redesenhou o cenário na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado e acabou derrubando o relatório que mirava integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e o procurador-geral da República.

O parecer, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi rejeitado por 6 votos a 4 após mudanças estratégicas na composição do colegiado poucas horas antes da votação.

O texto previa o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet, apontando possíveis crimes de responsabilidade.

Se aprovado, o relatório poderia abrir caminho para pedidos de impeachment dessas autoridades.

Trocas decisivas

A virada no placar veio com alterações feitas às pressas na formação da CPI. Três dos 11 titulares foram substituídos, mudando completamente a correlação de forças. Os senadores Sergio Moro e Marcos do Val deixaram o colegiado, dando lugar a Beto Faro e Teresa Leitão.

Além disso, a senadora Soraya Thronicke, que era suplente, foi alçada à condição de titular.

Com a nova configuração, formou-se maioria para barrar o relatório. Votaram contra o parecer, além dos recém-integrados, os senadores Rogério Carvalho, Otto Alencar, Humberto Costa e a própria Soraya.

Relatório esvaziado

Derrotado no plenário da comissão, o relatório de Vieira perde efeito prático e não segue adiante como recomendação formal da CPI. O senador sustentava haver elementos para responsabilizar as autoridades citadas, mas a manobra política acabou prevalecendo sobre o conteúdo do parecer.

Nos bastidores, a avaliação é de que a troca de cadeiras foi determinante para o desfecho, transformando uma votação que poderia ser apertada em um r