Por Silvio de Andrade (Corumbá-MS)
O próximo feriado nacional (Tiradentes), no dia 21 de abril, reserva pelo menos quatro dias para descansar e desfrutar em família ou grupos de amigos das belezas naturais de Mato Grosso do Sul, com o ponto facultativo decretado pelo governo no dia 20.
Principal destino do Pantanal, a hospitaleira e histórica cidade de Corumbá é uma das opções nesse feriadão ao oferecer mais do que um passeio em meio à natureza.
Distante 423 km de Campo Grande, Corumbá está no centro desse santuário ecológico e conta com a melhor estrutura para o ecoturismo, pesca esportiva, birdwatching e turismo histórico-religioso.
Uma viagem de carro pela rodovia BR-262, a partir da capital, por si só, é uma aventura inesquecível ao cruzar a planície pantaneira e descortinar toda a sua biodiversidade preservada, em direção à fronteira com a Bolívia e aos Andes.
O território é profundamente marcado pela presença humana. Muito antes da colonização europeia, povos indígenas já habitavam a região, desenvolvendo saberes fundamentais para a convivência com o Pantanal. A partir do período colonial, populações negras tiveram papel essencial na construção da cidade, contribuindo para sua economia, religiosidade, culinária, cultura e modos de viver.
Essa herança permanece viva nas tradições, nos festejos populares, na música, na oralidade e na identidade do povo corumbaense, moldando uma identidade e costumes únicos em uma região isolada geograficamente por séculos. Visitar Corumbá, que já foi a capital econômica do velho Mato Grosso, é entrar em um lugar onde natureza, história, cultura e hábitos cotidianos coexistem em harmonia.
Estrada Parque: lugar de onça
O privilégio de “rodar” pela planície inclui a oportunidade de conhecer um dos lugares mais incríveis do Pantanal: a Estrada Parque da Nhecolândia (uma das subregiões do bioma), com acesso pela MS-184 a partir do entroncamento com o Buraco da Piranha (distante 100 km de Miranda). Unidade de conservação, a estrada (de terra) é um dos grandes atrativos do destino para a pesca esportiva e ecoturismo.
O trajeto cruza paisagens de rara beleza, campos alagados, 74 pontes de madeira, baías e áreas de elevada biodiversidade. Mais do que um caminho, é uma experiência de contemplação e conexão direta com a natureza. Saindo da BR-262, em apenas 8 km se chega à beira do Rio Miranda e à comunidade do Passo da Lontra, onde opera uma cadeia de hotéis, pousadas e pesqueiros com excelentes opções de hospedagem e day use.
Além da pesca farta, os atrativos oferecem trilhas, cavalgadas, tour fluvial, passeio de caiaque, safari fotográfico, focam noturna e, principalmente, o contato com a lida do peão e a culinária pantaneira. A região é uma das principais moradas da onça-pintada, que pode ser avistada mesmo na estrada. Saindo do Lontra, por mais 50 km, se chega ao Rio Paraguai, na vila ribeirinha do Porto da Manga, com pousadas para a pesca.
Cultura e pesca em cruzeiros
Retornando à 262, são mais 120 km até Corumbá. O visitante vai se surpreender com outro mundo, sem igual em Mato Grosso do Sul. A começar pela irreverência e alegria do povo, que brinca o melhor carnaval do interior brasileiro e é bairrista e orgulhoso ao defender suas tradições. Fundada em 1778 e banhada pelo Rio Paraguai, a cidade é conhecida por sua diversidade cultural, com influências indígenas, sul-americanas e europeias.
O Casario do Porto, um conjunto de prédios construídos a partir do final da Guerra do Paraguai (1864-1870), traduz a importância arquitetônica do lugar e sua imponência na beira do rio, que já foi o terceiro maior porto da América Latina, e de frente para o Pantanal. Dalí, se observa o pôr do sol mais espetacular, dourando aquelas águas, e se faz passeios nas chalanas e caiaque ou pratica a pesca de barranco contemplando um cenário paradisíaco.
Com a maior estrutura para fisgar os grandes peixes de água doce e garantir uma experiência incrível, a Capital do Pantanal é o paraíso da pesca esportiva. São 28 barcos hotéis, com serviços personalizados de alta nível, para cruzeiros de uma semana pelo Rio Paraguai. As embarcações tem capacidade para até 80 pessoas, com sinal de internet, botes exclusivos com piloteiros e o melhor da gastronomia pantaneira. É possível praticar a pesca esportiva também em pequenas embarcações e roteiros curtos em pacotes oferecidos pelos hotéis pesqueiros.
O passeio a Corumbá se completa provando as delícias culinárias (saltenha, caldo de piranha, sarrabulho, sopa paraguaia, comida de comitiva, paçoca de carne seca e uma infinidade de pratos de peixe). Um city tour remete o visitante aos símbolos históricos da cidade, como o monumento do Cristo Rei do Pantanal, Forte Junqueira, Casa do Artesão, Igreja Nossa Senhora da Candelária e o Memorial do Homem Pantaneiro.
Abril é um dos melhores meses para um passeio em Corumbá. O Pantanal está em processo de inundação, com a subida do nível dos rios e o surgimento dos banhados e corixos (pequenos cursos d'água) que atraem bandos de aves e mamíferos. Apesar das chuvas constantes no período, a média da temperatura é de 30 graus. A cidade conta com voos diretos da Azul para Campinas (SP), quatro vezes por semana, e linha de ônibus diariamente para Campo Grande.





