Política e Transparência

Lula usa agências reguladoras como barganha para garantir Messias no STF

A barganha política inclui 14 cargos disponíveis em órgãos de grande relevância econômica.






A aprovação de Jorge Messias no STF (Supremo Tribunal Federal) tornou-se objeto de intensa negociação entre o Planalto e parlamentares.

O governo Lula (PT) está oferecendo posições estratégicas em agências reguladoras para conquistar o apoio necessário de Davi Alcolumbre (União-AP) e do centrão.

A sabatina do atual advogado-geral da União está agendada para o dia 29, mas a estratégia governamental visa eliminar qualquer resistência antes mesmo da votação. Segundo informações do jornal O Globo, essa articulação representa um movimento calculado para assegurar os votos necessários no Senado.


A barganha política inclui 14 cargos disponíveis em órgãos de grande relevância econômica. Entre eles estão posições na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Essas vagas estão vagas atualmente ou ficarão disponíveis nos próximos meses, criando uma janela de oportunidade para o governo negociar indicações em troca de suporte parlamentar à nomeação de Messias.

Critérios para distribuição das nomeações

A metodologia adotada pelo Planalto considera a origem das nomeações anteriores. Quando o cargo era ocupado por indicação do Senado, o governo mantém o apadrinhamento parlamentar. Nos casos em que o ocupante foi nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a administração atual busca alterar o perfil do indicado.

Essa abordagem permite ao governo equilibrar interesses políticos enquanto mantém certa continuidade nos critérios de nomeação, evitando conflitos desnecessários com o Legislativo.

O anúncio de Jorge Messias para o STF ocorreu em novembro de 2025, após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. A escolha não foi bem recebida por Alcolumbre, que demonstrava preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

Para contornar possível rejeição, Lula postergou o envio da mensagem ao Senado, formalizando-a apenas em 1º de abril. Essa decisão veio após diálogo direto com Alcolumbre no Palácio da Alvorada, demonstrando a importância política dessa articulação.