Policial

Operação da PF mira esquema de R$ 500 milhões na Caixa

Foram autorizadas a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas






A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, suspeita de desviar valores superiores a R$ 500 milhões.

Dentre os alvos estão o CEO e um ex-sócio do Grupo Fictor. Foram autorizadas a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, e há 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva sendo cumpridos em municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. 14 pessoas já foram presas até o momento.

O CEO da Fictor é Rafael Góis, principal sócio e fundador da empresa, foi alvo de mandato de busca e apreensão. Em nota, a empresa pontuou que apenas o celular do empresário foi apreendido e que "tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação", serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades.

Além de Góis, seu ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubin, também foi alvo da operação. Em nota, a defesa de Rubini afirmou que não teve conhecimento prévio do processo e que irá se manifestar oportunamente.

A apuração das fraudes, também voltada para os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro, teve início em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas.

Segundo as investigações, os criminosos atuavam por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas para a movimentação de valores e ocultação de recursos ilícitos.

Na ação intitulada Operação Fallax, a polícia também determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 47 milhões em bens como imóveis, veículos e ativos financeiros, além de autorizar a imposição de medidas cautelares para o rastreamento desses ativos.

Em 17 de novembro do ano passado, na véspera da liquidação do Banco Master, a financeira fez uma proposta de compra a instituição de Daniel Vorcaro. Desde então, sofreu uma crise de reputação e seus clientes sacaram R$ 2,1 bilhões em investimentos na empresa até 31 de janeiro.

Dentre seus mais de 13 mil credores está o time do Palmeiras, que era patrocinado pela empresa até o mês passado, quando o clube rescindiu o contrato. No mês passado, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com dívidas de R$ 4 bilhões.

Envolvimento do Comando Vermelho

A Polícia Federal apura, ainda, o envolvimento do Grupo Fictor com o chamado "Bonde do Magrelo", braço do Comando Vermelho (CV) que busca rivalizar com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no interior de São Paulo. A suspeita é que a empresa participaria de um esquema de lavagem de dinheiro a partir de atividades ligadas ao tráfico de drogas propagadas pela organização criminosa, de acordo com a Globo News.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, e a operação conta com o apoio da Polícia Militar do estado. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, com penas que podem ultrapassar 50 anos de reclusão. (Com informações do Globo.com)