Pessoas próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro iniciaram contatos informais com integrantes da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República) para avaliar a possibilidade de um eventual acordo de delação premiada no âmbito das investigações relacionadas ao caso do Banco Master.
As conversas, segundo informações de bastidores, tiveram caráter preliminar e serviram apenas para medir a disposição das autoridades caso o empresário decida colaborar com as investigações.
A defesa de Vorcaro afirma que, neste momento, não existe intenção de formalizar um acordo.
Mesmo assim, o tema passou a ser discutido no entorno do ex-banqueiro após a nova prisão preventiva decretada na semana passada, que aumentou a pressão sobre o investigado e abriu espaço para reavaliações estratégicas por parte de seus advogados e aliados.
Entre pessoas próximas ao empresário, há a percepção de que uma eventual colaboração poderia ajudar a limitar o alcance das investigações sobre familiares. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também está preso, enquanto o pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal por supostamente ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do Banco Master por meio de investimentos registrados em seu nome na gestora Reag.
Nesta semana, Vorcaro recebeu a visita de seu advogado na prisão federal em Brasília. O encontro ocorreu após autorização do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que permitiu que a conversa entre cliente e defensor ocorresse sem gravação.
Nos bastidores da investigação, integrantes da Polícia Federal indicam que um eventual acordo de colaboração só seria considerado caso o ex-banqueiro apresente informações novas e relevantes capazes de ampliar o alcance das apurações.
Congresso Nacional e Palácio do Planalto
No meio político, o caso também passou a gerar movimentação. Parlamentares ligados ao centrão defendem que Vorcaro volte a cumprir medidas cautelares em prisão domiciliar, argumentando que os crimes investigados teriam ocorrido antes de sua primeira detenção, o que, na avaliação desses aliados, enfraqueceria a justificativa para mantê-lo em regime fechado.
Além disso, cresce entre políticos o receio de que uma eventual delação possa atingir integrantes do Congresso e o Palácio do Planalto, uma vez que Vorcaro se reuniu com o presidente Lula (PT) no dia 4 de dezembro de 2024. o Executivo nega o registro.
Na reunião, o próprio Lula esteve presente, segundo ele mesmo disse em entrevista ao portal UOL. De acordo com o petista, ele prometeu a Vorcaro investigação isenta por parte do Banco Central.
Polícia Federal ampliou recentemente a investigação para apurar suspeitas de pagamento de propina a parlamentares por meio de operações relacionadas ao Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central.
A expectativa entre investigadores é de que a próxima fase da operação Compliance Zero, que apura fraudes em fundos de investimento, avance justamente sobre esse eixo político, investigando a eventual compra de apoio de Vorcaro no Congresso Nacional. (Com agências nacionais)






