Política e Transparência

Simone diz que disputará Senado por SP por ter obtido 1/3 dos votos em 2022

Atual ministra do Planejamento e Orçamento, ela disse que deve deixar a pasta até o fim deste mês






A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), afirmou que decidiu disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026, alegando, entre outros fatores, que o estado concentrou cerca de um terço dos votos que recebeu na eleição presidencial de 2022.

O anúncio foi feito durante conversa com jornalistas no Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, realizado em Campo Grande. Segundo Tebet, o desempenho eleitoral em território paulista pesou na decisão de entrar na disputa pelo estado.

Na eleição presidencial de 2022, Simone Tebet ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 4.915.423 votos (4,16% dos votos válidos), atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 57.259.504 votos (48,43%), e de Jair Bolsonaro (PL), que recebeu 51.072.345 votos (43,20%).

“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte. É onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política. Política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo muito importante para o Brasil”, declarou.

De acordo com a ministra, ainda não há data definida para deixar o Ministério do Planejamento, mas a expectativa é que a saída do cargo seja confirmada até o fim de março.

Tebet relatou que a possibilidade de disputar o Senado por São Paulo vem sendo discutida há alguns meses em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Apesar disso, ela não confirmou se permanecerá no MDB ou se poderá migrar para outra legenda para concorrer à vaga.

“Tem seis meses que venho sendo provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país. Quando fui investigar a razão dessa convocação, fui ver que São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde tive mais votos”, afirmou.

A ministra também revelou que a sugestão para disputar o Senado surgiu em uma conversa informal com Lula durante viagem ao Panamá, no dia 27 de janeiro. O pedido para que avaliasse a candidatura foi reforçado no dia 3 de fevereiro, após nova conversa que contou também com a participação de Alckmin.

Segundo Tebet, a decisão final só foi tomada depois de conversar com a família. “Eu precisava das bênçãos da minha mãe. Ela tinha expectativa de que eu pudesse voltar para perto dela. Depois de explicar a situação, decidi cumprir essa missão”, disse.

Trajetória política

Natural de Três Lagoas (MS), Simone Tebet é filha do ex-governador e ex-senador Ramez Tebet. Mestre em Direito do Estado, foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas por dois mandatos e vice-governadora de Mato Grosso do Sul na gestão de André Puccinelli.

Em 2014, elegeu-se senadora por Mato Grosso do Sul. No Senado, ganhou projeção nacional ao integrar a comissão especial do impeachment da então presidente Dilma Rousseff e ao presidir a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), tornando-se a primeira mulher a comandar o colegiado.

Em 2022, disputou a Presidência da República pelo MDB, obtendo 4,9 milhões de votos (4,16%) e terminando a eleição em terceiro lugar. No segundo turno, declarou apoio à candidatura de Lula, que acabou eleito.

Após a vitória do petista, Tebet integrou a equipe de transição e foi anunciada como ministra do Planejamento no início do atual governo. Agora, ao confirmar a intenção de disputar o Senado por São Paulo, a ministra volta a se colocar no centro das articulações políticas mirando as eleições de 2026.