Política e Transparência

Mensagens de Daniel Vorcaro atiçam oposição contra Moraes

Após revelação de conversas, Moraes é alvo de novo pedido de impeachment e criação de CPI. Ministro nega troca de mensagens






As críticas da oposição contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ganharam força com a revelação das mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro que supostamente teriam sido enviadas a ele.

O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), anunciou que vai protocolar, nesta segunda-feira (9), mais um pedido de impeachment contra Moraes.

Além disso, no Senado, há um requerimento para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o assunto.

“O ministro Alexandre de Moraes não tem condição de permanecer no cargo depois da revelação de que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. É inaceitável. Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, submetidos à lei e à transparência, como todos os cidadãos. O Brasil precisa acabar com a farra dos intocáveis”, disse Zema.

A solicitação se soma a outros 45 requerimentos que aguardam ser analisados pela Mesa Diretora do Senado. Moraes é o maior alvo de pedidos de impeachment entre os membros da Corte.


Para que a solicitação avance, o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), deve se manifestar pelo aceite ou arquivamento. Após isso, é formada uma comissão especial para analisar a denúncia.

Moraes negou que as mensagens tenham sido enviadas a ele. Em nota à imprensa, a equipe do ministro informou que a “análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele em 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”.

Pedido de CPI

As reações também vieram do Congresso. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, apresentou um requerimento para a criação de uma CPI específica para apurar as condutas dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no âmbito do Caso Master.

“Sem condenações prévias e com responsabilidade, é preciso garantir que todos estão sujeitos à mesma lei. Só assim o Brasil será uma república democrática real. Agora, começa a coleta de assinaturas”, revelou o parlamentar na sexta-feira (6/3).
Para que a CPI seja instalada, é necessário um terço das assinaturas dos senadores, ou seja, 27. Depois disso, é responsabilidade do presidente do Senado a criação da comissão.

Manifestações

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se manifestou pedindo a prisão de Moraes. Na sexta, ele enviou um ofício à PGR (Procuradoria-Geral da República) solicitando a análise de possibilidade de prisão preventiva por indícios de crimes, como obstrução de Justiça ou interferência indevida em investigações. (Metrópoles)