Policial

Grupo que atuava em MS e no PR é alvo de operação com 28 presos

Investigação aponta detento em presídio de segurança máxima como líder do esquema interestadual de tráfico e lavagem de dinheiro






Uma organização criminosa suspeita de abastecer o Paraná com drogas vindas de Mato Grosso do Sul foi desarticulada nesta quarta-feira (25) durante a Operação “Matrioska”. Ao todo, 28 pessoas foram presas e mandados judiciais foram cumpridos em três estados.

As investigações, segundo reportagem do G1, indicam que o comando do esquema partia de dentro do presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul.

Segundo a apuração, mesmo encarcerado, o apontado líder mantinha controle das atividades, definindo rotas, orientando o transporte dos entorpecentes e coordenando a movimentação financeira do grupo.

Em Campo Grande, equipes do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) realizaram buscas na cela do detento, com apoio de policiais penais e do Gisp (Grupo de Intervenção e Segurança Prisional). Sete celulares foram apreendidos durante a ação.

A estrutura criminosa teria como principal rota o envio de drogas de MS para cidades do Paraná, especialmente Pato Branco. O transporte, conforme a investigação, era feito por mulheres que viajavam em ônibus de linha, muitas vezes acompanhadas de crianças, numa tentativa de evitar suspeitas.

Além do tráfico de crack e cocaína, o grupo também é investigado por lavagem de dinheiro, utilizando contas bancárias de terceiros para ocultar a origem dos recursos.

A operação foi coordenada pela Polícia Civil do Paraná e contou com apoio da Polícia Civil sul-mato-grossense. A Justiça autorizou 24 prisões preventivas, 34 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e contas. As ordens foram cumpridas em cidades do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

As investigações começaram em agosto de 2025, após a apreensão de mais de dois quilos de crack com uma mulher abordada em um ônibus no Paraná. A partir desse flagrante, a polícia identificou uma rede estruturada, com divisão de tarefas e atuação interestadual.

Durante as diligências, duas pessoas que estavam foragidas foram localizadas e presas, outras três acabaram autuadas em flagrante por tráfico, e um adolescente foi apreendido por ato infracional análogo ao crime.

O nome da operação faz referência às bonecas russas que guardam outras menores em seu interior, simbolizando a organização em camadas identificada pelos investigadores. A polícia segue analisando o material apreendido para aprofundar a apuração e identificar outros possíveis envolvidos.