Política e Transparência

Senador lidera grupo para monitorar acordo Mercosul-UE com foco em setores produtivos

Senador Nelsinho Trad anuncia GT na CRE e privilegia diálogo com agro e indústria. A senadora Tereza Cristina alerta para protecionismo europeu.






O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, senador sul-mato-grossense Nelson Trad Filho (PSD-MS), anunciou nesta quarta-feira (04/02) a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar a tramitação do Acordo Mercosul-União Europeia, assinado em 17 de janeiro em Assunção após 26 anos de negociações.

Iniciativa do GT para esclarecer impactos

Nelsinho destacou que o grupo focará na implantação prática do tratado, ouvindo setores afetados e dialogando com ministérios e o Parlamento Europeu. “Eu preciso da aprovação dos meus pares”, afirmou sobre a votação do requerimento ainda hoje na CRE.

Nelsinho Trad explicou os prazos variados por setor: “Tem setores que passa a valer a partir do momento em que começar a funcionar o acordo. Tem outros setores que é a médio prazo e outros setores que é a longo prazo”. O senador enfatizou o canal aberto à sociedade: “A gente quer criar um canal, que será esse grupo de trabalho, que é aberto à sociedade para, se determinado setor se sentir prejudicado, tiver uma dúvida, precisar fazer algum ajuste, que acione esse grupo de trabalho, e nós vamos fazer as interlocuções pertinentes com os ministérios afins”.

Diálogo com agro e indústria

Nelsinho citou o agronegócio como exemplo prioritário: “Se for algum produto do setor agro, iremos ao Ministério da Agricultura”. Ele revelou reuniões prévias com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro Carlos Fávaro e o Mapa: “De pronto, eles concordaram e estão à nossa disposição”.

Para a indústria, garantiu atenção específica: “Não é só coisas do setor agro que estão envolvidas, também há a indústria. Então, vão ter senadores que são parte desse grupo, que têm uma afinidade maior com o setor, para também esclarecer situações que porventura irão ocorrer. E que devem ocorrer, porque o acordo é muito extenso, tem muitos pontos, e a gente está aqui para que seja um ganha-ganha”.

O GT terá quatro titulares e quatro suplentes, indicados por partidos em até duas sessões. “Nós iremos consultar os líderes que compõem o nosso colegiado para fazer as indicações. Eu não posso definir quem será, cada partido tem que definir um integrante”, esclareceu.

Tramitação acelerada no Congresso

Nelsinho articulou com Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado) para celeridade. “O que está sendo construído é um acordo entre os líderes para suprir a tramitação pertinente às outras comissões, no sentido de dar celeridade e ir direto para o plenário da Câmara dos Deputados”. Votação prevista para final de fevereiro, pós-Carnaval, seguindo para CRE e plenário sem emendas: “Ou você vota sim, ou você vota não”.

Os trabalhos do GT começam após aprovação, entre março e abril, com validade até dezembro (prorrogável). Ele cogita missão à Europa: “Nós queremos levar uma narrativa da importância que isso irá gerar para quem assinou […] Se a missão ocorrer, seria importante levar os parlamentares dos outros países do Mercosul”.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou: “O grande problema é que, depois da pandemia, o mundo se tornou muito protecionista. E a Europa sempre foi protecionista com os seus agricultores”.

Reflexo na economia

 

A União Europeia já é o segundo maior destino do agro brasileiro, com US$ 25,2 bilhões exportados no último ano, o equivalente a cerca de 15% das vendas externas do setor.

“Lá no meu estado, que é Mato Grosso do Sul, há três nichos de mercado que vão sair muito bem. O da soja, o da carne e o da celulose”, lembra o senador sobre as perspectivas para o estado que representa. Mato Grosso do Sul teve um superávit de US$ 812 milhões na balança comercial com a UE. Exportou US$ 1,3 bilhão para a União Europeia em 2025, enquanto importou US$ 492 milhões do bloco.