Economia

Ano começa com emprego forte, juro alto e risco de mais inflação

Não está claro, até agora, quanto o governo se esforçará para conter os gastos num ano de intensa disputa eleitoral






O Brasil virou o ano com emprego forte, inflação bem acima da meta, juros altos e perspectiva de economia menos dinâmica apesar da corrida eleitoral. Se depender do custo do crédito, a produção industrial deve levar um bom tempo para voltar a crescer com vigor.

Mantida em 15% a partir de 20 de junho do ano passado, a taxa básica é a mais alta desde julho de 2006, quando recuou de 15,25% para 14,75%.

Contida pelos juros, a indústria de transformação produziu no ano passado 0,2% menos que em 2024, com expansão nula no segundo semestre.

O avanço industrial de 0,6% acumulado em 2025 dependeu do segmento extrativo, liderado pela atividade petrolífera, segundo balanço divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os melhores desempenhos foram os da indústria produtora de bens de consumo duráveis (+2,5%) e de bens intermediários (+1,5%). O segmento de bens de consumo semi e não duráveis e o de bens de capital apresentaram perdas de 1,7% e 1,5% em relação ao ano anterior.

Apesar do recuo do setor industrial, o desemprego chegou em dezembro a 5,1% da força de trabalho, a menor taxa da série iniciada em 2012, quando a desocupação atingiu 8%. A taxa anual diminuiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. Entre os dois períodos, a média dos desocupados passou de 7,2 milhões para 6,2 milhões de pessoas.

Essa mudança foi sustentada principalmente pelo aumento da ocupação em serviços, explicou a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio habitual das pessoas ocupadas aumentou 5,7% e chegou a R$ 3,560. Com expansão de 7,5%, a massa de rendimento habitual anual desses trabalhadores atingiu R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série.

Mesmo com algum recuo nos próximos meses, a taxa básica de juros deve continuar elevada — e bem acima dos padrões internacionais — durante este ano. O início da redução deverá ser discutido na próxima reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, prevista para os dias 17 e 18 de março. Não há indicação, no entanto, de uma data para o início dos cortes.

Apesar do tom mais brando de seu último comunicado, o comitê, formado por diretores do BC, deixou clara a disposição de continuar trabalhando para levar a inflação à vizinhança de 3%, a meta central. O avanço nessa direção deverá depender principalmente da contenção dos gastos governamentais. Não está claro, até agora, quanto o governo se esforçará para isso, num ano de intensa disputa eleitoral. (Com Estadão)