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Desvio bilionário no INSS obriga governo a estender prazo de ressarcimento até março

Investigação aponta esquema que atingiu idosos e virou problema político para o governo






Em meio a um dos maiores escândalos da história da Previdência, o governo federal decidiu estender até março o prazo para que aposentados e pensionistas peçam o ressarcimento de valores desviados de seus benefícios.

A prorrogação ocorre após a revelação de um esquema que movimentou cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos ilegais, atingindo justamente quem depende do INSS para comprar remédios e sobreviver.

O novo prazo surge como tentativa de conter o desgaste político do governo Lula (PT), pressionado por denúncias de que o sistema permitiu por anos a atuação de entidades fantasmas e associações suspeitas dentro da estrutura do instituto.

Para críticos, a medida não passa de um remendo tardio diante de um rombo que expôs a fragilidade do controle sobre o dinheiro dos aposentados.

O esquema foi revelado pela chamada Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da CGU, que identificou fraudes em acordos firmados entre o INSS e entidades associativas. Na prática, milhares de aposentados tiveram valores retirados automaticamente do benefício sem autorização.

O resultado foi devastador: idosos que descobriram descontos apenas ao tentar comprar medicamentos, pagar aluguel ou fazer compras básicas. Muitos só perceberam o golpe quando o dinheiro simplesmente não dava mais até o fim do mês.

Até agora, cerca de R$ 2,8 bilhões foram devolvidos, mas o próprio governo admite que o valor total do rombo ultrapassa R$ 6 bilhões e que ainda existem centenas de milhares de vítimas sem ressarcimento.

CPMI expõe blindagem e nomes próximos ao Planalto

A crise levou o Congresso a instalar uma CPMI do INSS, que acabou se tornando mais um campo de disputa política. Parlamentares de oposição acusam o governo Lula de blindar seus aliados e esvaziar as investigações, impedindo convocações e evitando que figuras sensíveis fossem responsabilizadas.

Entre os nomes que surgiram no escândalo estão personagens conhecidos como o chamado “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema, e até Frei Chico, irmão do presidente Lula, que teria relação com entidades envolvidas nas fraudes — fato que gerou ainda mais constrangimento ao Palácio do Planalto.

Apesar da gravidade das denúncias, até agora nenhum grande responsável político foi punido, e parte da antiga cúpula do INSS apenas foi afastada, sem consequências mais profundas.

Prorrogação vira símbolo da crise

Oficialmente, o governo afirma que o novo prazo — agora até 20 de março — foi necessário por causa de instabilidades no sistema Meu INSS. Na prática, a leitura predominante é que a prorrogação virou um símbolo do caos administrativo, da lentidão na devolução do dinheiro e da incapacidade do Estado de proteger os mais vulneráveis.

Enquanto isso, milhões de aposentados seguem dependendo de aplicativos que falham, telefones congestionados e filas presenciais para tentar recuperar o que nunca deveria ter sido retirado.

Para muitos deles, o problema já não é mais o prazo — é a sensação de terem sido roubados duas vezes: primeiro pelo esquema, depois pela demora do próprio governo em resolver.