O setor de serviços brasileiros registrou recuo inesperado em novembro após nove meses de ganhos, pressionado por transportes e informação e comunicação, em meio à desaceleração da economia diante de uma política monetária restritiva.
O volume de serviços teve em novembro queda de 0,1% em relação a outubro, resultado que frustrou a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,2% no mês.
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume de serviços apresentou alta de 2,5%, informou nesta terça-feira (13) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), contra expectativa de ganho de 3,0%.
"O resultado reflete uma certa manutenção do setor de serviços em patamares elevados, já que no mês anterior o setor havia alcançado o topo da sua série histórica, iniciada em janeiro de 2011", destacou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE.
Os fornecedores de serviços nacionais registraram resultados positivos durante a maior parte do ano passado, com retração no volume apenas em janeiro, graças ao desemprego em mínimas recordes e aumento da renda, o que ajudava a compensar o peso dos juros elevados, com a Selic atualmente em 15%.
"Apesar do resultado abaixo do esperado, o dado (de novembro) parece refletir mais uma normalização após um período de crescimento mais intenso do que, propriamente, um sinal contundente de fraqueza da atividade no setor", disse o economista da Armor Capital Gustavo Rostelato.
Entre as cinco atividades pesquisadas, duas tiveram resultados negativos no mês de novembro -- transportes teve queda de 1,4% e informação e comunicação apresentou recuo de 0,7%.
"O destaque no campo negativo fica no setor de transportes, pressionado pelo transporte aéreo, transporte rodoviário coletivo de passageiros, transporte dutoviário e logística de cargas", disse Lobo.
Na outra ponta, os profissionais e administrativos (1,3%) e os outros serviços (0,5%) mostraram ganhos na comparação mensal, enquanto os serviços prestados às famílias ficaram estáveis.
Já o índice de atividades turísticas teve ganho de 0,2% em novembro na comparação ao mês anterior, no quarto resultado positivo seguido, ficando 0,8% abaixo do ápice da sua série histórica, de dezembro de 2024.
"Podemos dizer que (em novembro) as receitas dos restaurantes tiveram um ligeiro predomínio sobre o recuo observado no transporte aéreo de passageiros", disse Lobo.
O IBGE destacou ainda os efeitos no setor de serviços da realização da COP-30 no Pará entre 10 e 21 de novembro -- o volume de serviços no Estado registrou alta de 2,6% no mês.
Com participação de 1,09% no volume total de serviços, o avanço no Pará exerceu o terceiro maior impacto positivo na comparação com outubro. (Da Reuters)





