Política e Transparência

Haddad diz que país pode estar diante da 'maior fraude bancária'

O ministro conversou com jornalistas nesta terça-feira (13) na porta do Ministério da Fazenda






O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender a atuação do BC (Banco Central) na liquidação do banco Master, que ele classificou como o que pode ser a "maior fraude bancária" do país.

Ele afirmou que tem conversado diariamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que determinou liquidação da instituição financeira.

A liquidação ocorreu após investigadores descobrirem negócios de venda de carteiras de crédito com suspeitas de fraudes do Master para o BRB num valor de R$ 12,2 bilhões.

"Tenho falado com o presidente do BC quase que diariamente, dando todo respaldo institucional da Fazenda. Penso que temos feito um trabalho conjunto muito importante, porque envolve a Fazenda também, o caso Reag [fundos envolvidos com a operação Carbono Oculto]. Tem uma conexão que está sendo apurada entre os dois casos", disse o ministro a jornalistas.

Haddad informou que tem conversado, também, com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo.

Nesta semana, Vital do Rêgo se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para "encontrar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC, que questiona a possibilidade de inspeção técnica em suas dependências".

"Falei com o presidente do TCU algumas vezes ao telefone na semana passada. Eu penso que houve uma convergência como ajudar, como fazer o melhor para o país conhecer a verdade, apurar responsabilidades, eventualmente obter ressarcimento dos prejuízos causados. Penso que as coisas vão caminhar para o lado certo. ", acrescentou o ministro da Fazenda.

"O caso inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária do país. Temos que tomar todas cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo espaço para a defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo bastante firmes em relação àquilo que tem de ser defendido pelo interesse público", declarou o ministro da Fazenda.

Defesa do BC
Essa não é a primeira vez que Haddad sai em defesa do BC. Em novembro, quando a instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central, o ministro afirmou que, para ter chegado à essa situação, o processo levando adiante pela autoridade monetária deveria estar muito "robusto".

No entanto, integrantes do governo não têm se manifestado publicamente sobre o assunto nas últimas semanas.

"Toda transparência [com a atuação do TCU pode ajudar. Se a intenção for boa, a transparência vai ajudar. Estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e equipe fizeram. Atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República. Tivemos o melhor aconselhamento possível pra chegar até aqui. Eu acredito realmente que o trabalho que foi feito pelo BC é tecnicamente muito robusto", concluiu Haddad.

A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição.

Inspeção no BC
Após reunião com Galípolo na tarde desta segunda (12), o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, afirmou que o BC havia concordado com uma inspeção sobre o Banco Master.

Na noite do mesmo dia, como adiantou o blog do Valdo Cruz, a instituição retirou o recurso que havia apresentado contra a decisão do ministro Jhonatan de Jesus, que determinou a inspeção.

Ao blog, integrantes do Banco Central disseram considerar que os embargos cumpriram sua função. Eles afirmam que, após a apresentação do recurso, ficou claro que o TCU respeita a prerrogativa exclusiva do BC de fazer a liquidação do Master. E que não haverá invasão de competência pela Corte de Contas.

Liquidação
O BC apontou irregularidades em operações do Master com o BRB (Banco de Brasília) e declarou que a liquidação era indispensável para proteger o sistema financeiro e a poupança popular. A liquidação foi decretada em novembro do ano passado.

Com a liquidação, as atividades do banco foram interrompidas, a diretoria foi afastada e o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) foi acionado para ressarcir investidores dentro do limite legal. (Com g1 - Brasília)