Saúde

Cirurgias cardíacas infantis avançam em Mato Grosso do Sul

Serviço da Cassems já realizou mais de 50 procedimentos e atende até 30% da demanda pediátrica de MS, além de reduzir a necessidade de tratamento fora do Estado.






O atendimento a crianças com cardiopatias congênitas em Mato Grosso do Sul começa a mudar de cenário. Com a consolidação do serviço de cirurgia cardíaca pediátrica da Cassems, famílias que antes precisavam buscar tratamento em outros estados agora encontram assistência especializada na Capital.

Implantado em maio de 2024, o serviço já realizou 54 cirurgias e hoje responde por cerca de 25% a 30% dos procedimentos cardíacos infantis feitos no Estado, considerando as redes pública e privada. Na prática, isso reduz a necessidade de deslocamentos para centros como São Paulo e Curitiba, realidade comum até pouco tempo.

Historicamente, o diagnóstico de uma cardiopatia congênita vinha acompanhado da necessidade de viagens longas e custosas, além do impacto emocional para as famílias. Em muitos casos, apenas um dos pais conseguia acompanhar a criança, enquanto o restante da família permanecia no Estado.

Segundo especialistas, a oferta local de tratamento altera essa dinâmica. Além de evitar o deslocamento, o atendimento próximo fortalece o vínculo com as equipes médicas e proporciona maior segurança durante todo o processo.

Com mais de 50 cirurgias Cassems responde por 30% de todas as cirurgias infantis do coração em MS.

Apesar de já contar com estrutura hospitalar, como centro cirúrgico e UTI, a Cassems precisou organizar uma linha de cuidado específica para cirurgias pediátricas de alta complexidade. Ao longo de dois anos, o serviço ampliou a capacidade de atendimento e passou a absorver casos mais complexos, resultado do trabalho integrado de equipes multiprofissionais.

A presença de especialistas no Estado e o investimento em tecnologia também contribuíram para a consolidação do serviço, que hoje oferece atendimento considerado compatível com grandes centros do país.

 

Para o cirurgião cardíaco pediátrico, Dr. Guilherme Viotto, o impacto vai muito além dos números e reflete diretamente na estrutura sociofamiliar dos pacientes, muitos deles recém-nascidos que necessitam de intervenções imediatas de grande porte. “Você transferir uma criança que tem uma cardiopatia congênita que precisa ser submetida a uma cirurgia de grande porte e deslocar essa família por 1.000 quilômetros gera um impacto sociofamiliar e emocional gigantesco. Geralmente a mãe vai junto para acompanhar e o pai não consegue se liberar do trabalho. Trazer essa realidade para cá é um marco.” explica Viotto.

A ecocardiografista pediátrica, Dra. Camila Lino, ressalta que a existência dessa estrutura no estado quebra a barreira do medo do desconhecido. “Quando explicamos para a família que sim, temos estrutura comparada aos grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro ou Curitiba, elas se sentem acolhidas e criamos um vínculo essencial para o tratamento”, afirma.

Embora o Hospital Cassems já dispusesse de centro cirúrgico equipado e UTI, o serviço especializado precisou ser estruturado do zero. A maturidade alcançada nestes 24 meses e a capacidade de absorver casos cada vez mais complexos são creditadas ao alinhamento integral de toda a cadeia assistencial, “Foi um trabalho de formiguinha no início”, relembra o Dr. Guilherme Viotto. “Esses dois anos são a vitória de toda uma equipe: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos de enfermagem. É uma equipe multiprofissional alinhada em oferecer o melhor para essas crianças.”

A fixação de especialistas altamente qualificados no estado e o investimento na infraestrutura tecnológica permitiram transformar o que antes era um caminho de incertezas em um processo de cura seguro, humanizado e acolhedor, sem que o associado precise cruzar fronteiras para salvar a vida do filho.

 

A expectativa é de expansão. Com a equipe mais experiente, a tendência é ampliar o número de cirurgias e beneficiar mais pacientes nos próximos anos, em um cenário que busca reduzir desigualdades no acesso à saúde de alta complexidade em Mato Grosso do Sul.