Em meio ao avanço das queimadas e à pressão crescente sobre os biomas brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, neste domingo (22), a ampliação de áreas protegidas no Pantanal e a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado.
As medidas somam mais de 174 mil hectares e foram apresentadas durante evento internacional realizado em Campo Grande.
O anúncio ocorreu no Segmento de Alto Nível da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que reúne autoridades e especialistas para discutir estratégias de preservação da biodiversidade.
No Pantanal, duas unidades tiveram suas áreas significativamente ampliadas. A Estação Ecológica de Taiamã saltou de 11,5 mil para 68,5 mil hectares, enquanto o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense passou de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
Com isso, a área protegida no bioma cresce de 4,7% para 5,4% — ainda considerada baixa diante da importância ecológica da região.
Pantanal
O Pantanal, que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, enfrenta pressão constante, sobretudo por conta das queimadas. Entre 1985 e 2024, 62% de seu território foi atingido pelo fogo, segundo levantamento do MapBiomas, evidenciando a fragilidade do bioma frente às mudanças climáticas e à ação humana.
Além da ampliação no Centro-Oeste, o governo também anunciou a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado, no norte de Minas Gerais, com cerca de 69,9 mil hectares. A área deve proteger nascentes, garantir o uso sustentável dos recursos naturais e assegurar direitos de comunidades tradicionais, como geraizeiros e quilombolas.
A nova reserva também se conecta a outras áreas protegidas da região, formando um corredor ecológico estratégico para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos — fator crucial para um bioma conhecido como o “berço das águas” do país.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que a iniciativa resulta de articulação entre governos, pesquisadores e comunidades locais, com foco na preservação e no equilíbrio ambiental.
O governo federal também aponta possíveis impactos econômicos positivos, como o fortalecimento do turismo de natureza, da pesca e o aumento de receitas municipais por meio do ICMS ecológico.
Para o presidente do ICMBio, Mauro Pires, as medidas reforçam o compromisso com a proteção dos biomas e o desenvolvimento sustentável, embora ampliem também a responsabilidade sobre a gestão dessas áreas.
O anúncio ocorre em um momento em que a pauta ambiental volta ao centro do debate internacional, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela necessidade de conciliar preservação e crescimento econômico. Midiamax





