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Bioparque Pantanal abriga peixes transgênicos que emitem brilho sob luz especial

Tetra-monja fluorescentes foram apreendidos em Campo Grande e agora integram ações de educação ambiental.






As visitantes do Bioparque Pantanal passam a contar com uma atração inusitada e educativa. O complexo recebeu exemplares do peixe tetra-monja (Gymnocorymbus ternetzi), popularmente conhecido como tetra-negro, que apresentam uma característica pouco comum: eles brilham quando expostos à luz ultravioleta.

A fluorescência ocorre devido a uma modificação genética, realizada a partir da inserção de genes de organismos como águas-vivas e anêmonas. Com isso, os peixes passam a emitir cores intensas e vibrantes, semelhantes a tons “neon”, visíveis sob iluminação específica.

No Brasil, a importação, a criação e a comercialização de peixes geneticamente modificados são proibidas. A restrição existe porque esses organismos não passaram por avaliação de risco ambiental e não possuem autorização da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), conforme determina a legislação brasileira de biossegurança.

Apreensão em loja de aquarismo

Os exemplares que hoje estão no Bioparque foram apreendidos em junho do ano passado pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), durante uma fiscalização em uma loja de aquarismo em Campo Grande. Ao todo, 18 peixes transgênicos foram resgatados.

Por se tratarem de organismos geneticamente modificados, os animais não podem ser devolvidos à natureza. Especialistas alertam que a soltura desse tipo de peixe em ambientes naturais pode provocar desequilíbrios ecológicos, já que os impactos desses organismos sobre os ecossistemas ainda não são totalmente conhecidos.

De acordo com o Decreto nº 5.591/2005, manter ou comercializar peixes ornamentais geneticamente modificados configura infração grave, com multas que variam de R$ 60 mil a R$ 500 mil. Já a liberação desses animais no meio ambiente é considerada infração gravíssima, com penalidades que podem chegar a R$ 1,5 milhão.

Atualmente, os tetra-monja estão sob cuidados técnicos no Bioparque Pantanal, em ambiente controlado e seguro. No local, eles cumprem um importante papel educativo, ajudando a promover debates sobre biossegurança, ética, engenharia genética, organismos geneticamente modificados e os possíveis impactos da introdução dessas espécies no meio ambiente.