Campo Grande

Pressão cresce e cobrança do IPTU pode ser suspensa na capital

Reação de entidades expõe falhas no cálculo e pressiona prefeitura por recuo






A cobrança do IPTU 2026 abriu mais um flanco de desgaste para a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), em Campo Grande.

Entidades comerciais e profissionais protocolaram na Câmara Municipal um documento duro, no qual apontam distorções no cálculo do imposto, falta de transparência e aumentos considerados injustificáveis, que atingem principalmente bairros de menor renda.

Segundo o grupo, imóveis localizados em regiões periféricas tiveram reajustes que chegam a 400%, enquanto áreas nobres da Capital teriam registrado redução no valor do tributo.

Para as entidades, o cenário mostra a percepção de um modelo de arrecadação desequilibrado, que penaliza quem tem menor capacidade de pagamento e protege regiões mais valorizadas da cidade.

Outro ponto que acirrou as críticas foi a transparência do processo. As entidades relatam que o portal da Prefeitura de Campo Grande chegou a ficar fora do ar, dificultando o acesso às informações sobre a base de cálculo e impedindo que contribuintes compreendessem como os novos valores foram definidos.

O problema, segundo o documento, ampliou a sensação de insegurança e improviso na condução da política tributária.

Além dos aumentos questionados, a gestão municipal também reduziu o desconto para pagamento à vista de 20% para 10%, com vencimento já marcado para o dia 12 de janeiro.

Para as entidades, a medida representa mais um peso no orçamento das famílias e do comércio, sobretudo em um período tradicionalmente marcado por despesas elevadas.

Suspensão

Diante do cenário, o grupo pediu à Câmara Municipal a suspensão imediata da cobrança e a realização de uma audiência pública urgente para discutir os critérios adotados pela prefeitura.

Assinam o documento entidades como a ADVI, CDL Campo Grande, FCDL/MS, SENGE/MS e CRECI/MS, que afirmam atuar em defesa da previsibilidade, do equilíbrio fiscal e do respeito ao contribuinte.

O tema também chegou oficialmente ao Legislativo. O presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), encaminhou ofício à prefeitura cobrando esclarecimentos sobre os aumentos considerados excessivos, após receber relatos de moradores surpreendidos com os valores dos carnês.

Em nota, a administração municipal sustenta que o reajuste oficial do IPTU e da taxa de lixo foi limitado a 5,32%, índice baseado no IPCA-E, previsto em lei e que dispensa votação na Câmara. A prefeitura afirma ainda que eventuais elevações acima desse percentual decorrem de “outras alterações”, sem detalhar, de forma clara, quais critérios motivaram as mudanças apontadas pelas entidades.

Enquanto a gestão Adriane Lopes tenta conter a reação negativa, o episódio aponta críticas recorrentes sobre a condução administrativa do município, especialmente no diálogo com a sociedade e na previsibilidade das decisões fiscais.

Para muitos contribuintes, o IPTU 2026 já nasce como símbolo de uma política tributária mal explicada, socialmente desigual e politicamente desgastante para o Executivo municipal.