Política e Transparência

Assembleia encerra Agosto Lilás com ato em memória de vítimas de feminicídio

Deputados formam coração humano e reforçam necessidade de políticas públicas contra a violência de gênero.






O encerramento da campanha Agosto Lilás foi marcado, por um ato simbólico na rampa da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Deputados, deputadas, a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza da Silva, e a primeira-dama, Mônica Riedel, participaram da mobilização que relembrou o ciclo da violência contra a mulher e homenageou vítimas do feminicídio.

Durante a cerimônia, deputadas leram frases que representam diferentes etapas da violência doméstica e destacaram o feminicídio mais recente registrado no Estado: o assassinato de Érica Motta, de 46 anos, ocorrido na noite de quarta-feira (27/08), em Bataguassu. A vítima foi morta a facadas, e o autor do crime, Vagner Aurélio Fernandes, de 59 anos, foi preso no terminal rodoviário do município.

“Esse ato faz parte da consolidação da rede de proteção que o Mato Grosso do Sul, não como poder público, mas como sociedade, tem criado. Claro que temos as lideranças com as instituições comprometidas, que não negam o problema, mas assumem o compromisso de mudar a realidade. Registro que o machismo cultural existente na nossa educação também se torna o machismo violento. O registro que os 21 deputados homens da ALEMS estão juntos das três deputadas, comprometidos com essa luta, reconhecendo que os homens que são atores principais da violência e precisam fazer o movimento de mudança. Estamos comprometidos”, afirmou o Presidente da Alems Gerson Claro.

“É com muita tristeza que encerramos este mês com mais uma morte de mulher em nosso Estado”(Mara Caseiro). (Foto: Luciana Nassar)

A deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, ressaltou que o caso soma 24 feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul somente em 2025. “É com muita tristeza que encerramos este mês com mais uma morte de mulher em nosso Estado”, lamentou.

O ato contou com a participação de mulheres usando camisetas lilás, cor símbolo da campanha, e terminou com a formação de um coração humano em frente à Casa de Leis.

Deputados estaduais fazendo corrente humana em formato de coração (Foto: Fernanda Palheta)

Para a secretária Viviane Luiza da Silva, o enfrentamento da violência exige união de esforços e mudanças estruturais. “O feminicídio é uma epidemia no Brasil e no mundo. Só vamos mudar quando compreendermos que a mulher tem independência e que seu corpo não é propriedade do homem. Esse trabalho precisa começar na educação, nas escolas, com a juventude”, afirmou, lembrando que 349 escolas e 341 grêmios estudantis já recebem recursos para desenvolver ações de conscientização.

“Eu vejo a vontade de resolver o problema, com programas de proteção, de educação, de saúde, abrigo e acolhimento às vítimas e a mensagem central é que a luta é coletiva e que é importante que elas saibam identificar situações de violência e onde pedir ajuda” (Mônica Riedel).               (Foto: Luciana Nassar)

A primeira-dama Mônica Riedel reforçou que as políticas públicas precisam ser permanentes. “Embora agosto seja o mês de maior visibilidade, as ações de combate à violência contra a mulher acontecem durante todo o ano. Muitas vezes, a mulher não sabe que está sofrendo violência. É importante que ela reconheça e saiba que terá apoio”, destacou.

Já o presidente da Assembleia, deputado Gerson Claro (PP), chamou atenção para a necessidade de desconstruir o machismo estrutural. “Expressões como ‘isso é coisa de mulher’ ou ‘homem não chora’ são repetidas desde a infância e alimentam essa cultura. A mudança começa dentro de casa, com cada um de nós assumindo a responsabilidade”, afirmou.