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50 milhões e restrições: Sidney da Ultrafarma e diretor da Fast Shop estão soltos

Justiça liberou o dono da Ultrafarma e diretor da Fast Shop com fiança milionária. Juiz impôs também medidas cautelares, incluindo tornozeleira e entrega de passaporte.






O empresário Sidney Oliveira, fundador da rede Ultrafarma, e o diretor estatutário da Fast Shop, Mario Otávio Gomes, foram soltos nesta sexta-feira (15/08), após trazidos sob prisão temporária por investigação em ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A decisão foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do estado.

A Operação Ícaro, conduzida pelo Grupo Especial de Atuação nas Delitos Econômicos (GEDEC/MP-SP), desarticulou um esquema de corrupção iniciado em 2021, em que auditores fiscais favoreciam empresas do varejo no ressarcimento de créditos tributários (ICMS) em troca de propina. Um dos auditores, Artur Gomes da Silva Neto, é apontado como o principal articulador do esquema e segue preso.

O executivo da Fast Shop, Mario Otávio Gomes, liberado pela justiça ontem (15/08) após o pagamento de R$25 milhões em fiança.

Operação Ícaro: entenda a investigação que envolve empresários e auditores fiscais em São Paulo

A Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revelou um esquema de corrupção que teria beneficiado empresas do varejo por meio da liberação irregular de créditos de ICMS na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado (Sefaz-SP).

Linha do tempo da Operação Ícaro

2021 – Investigadores apontam o início do esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais e empresários do setor varejista.

Fevereiro de 2025 – O MP-SP intensifica apurações após denúncias sobre irregularidades no ressarcimento de créditos de ICMS.

Março de 2025 – Promotores encontram indícios de que grandes varejistas pagavam propina para acelerar liberações tributárias.

12 de agosto de 2025 – Ação do MP-SP prende empresários e auditores fiscais, entre eles Sidney Oliveira (Ultrafarma) e Mario Otávio Gomes (Fast Shop).

15 de agosto de 2025 – Justiça concede liberdade provisória aos empresários; investigações continuam para identificar outros envolvidos.

Quem são os principais envolvidos

Sidney Oliveira – Fundador da Ultrafarma, suspeito de pagar propina para facilitar a restituição de ICMS.

Mario Otávio Gomes – Diretor estatutário da Fast Shop, também acusado de participação no esquema.

Auditores Fiscais da Sefaz-SP Apontados como responsáveis por liberar créditos tributários de forma ilegal em troca de propina.

Promotor Roberto Bodini (MP-SP) – Conduz a investigação e afirma que outras empresas do varejo podem estar envolvidas.

A Operação Ícaro segue em andamento, e tanto a Ultrafarma quanto a Fast Shop afirmaram que colaboram com as autoridades e confiam que os fatos serão esclarecidos no curso do processo.

Segundo as investigações, o auditor teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propina, por meio de uma empresa em nome de sua mãe, para facilitar quitação de créditos fiscais em favor das empresas envolvidas.

Sidney Oliveira e Mário Otávio gomes pagaram R$50 milhões de fiança

A Justiça concedeu a liberdade aos empresários mediante pagamento de fiança no valor de R$ 25 milhões cada, além de impor restrições severas: uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e entrega de passaportes como parte das medidas cautelares.

O diálogo com as empresas

A Fast Shop, por sua vez, emitiu comunicado afirmando que está colaborando integralmente com as autoridades, enquanto a Ultrafarma declarou que os fatos serão “devidamente esclarecidos no decorrer do processo, demonstrando a inocência no curso da instrução”.